Cantora iraniana é condenada a chibatadas por cantar sem hijab
Justiça do Irã pune Parastoo Ahmadi, artista de 29 anos, após apresentação transmitida pela internet em 2024
A iraniana Parastoo Ahmadi, de 29 anos, foi sentenciada a 74 chibatadas por ter se apresentado sem hijab durante um show transmitido por seu canal no YouTube. A pena, revelada por organizações de direitos humanos, inclui ainda proibição de viajar ao exterior e de atuar profissionalmente como artista, ambas por dois anos. O caso reabriu o debate sobre a perseguição a mulheres no país.
Quem é a artista
Nascida em 1997 na cidade de Nowshahr, no norte do Irã, Parastoo Ahmadi é cantora, compositora e cineasta. Formada em Direção de Cinema pela Universidade Sooreh, em Teerã, ela costuma recorrer à tradição poética e mitológica persa para abordar questões da atualidade.
A punição tem origem em uma apresentação realizada em 2024, ao lado de oito profissionais de produção, na qual ela interpretou sem o véu islâmico a canção patriótica “Az Khoon-e Javanan-e Vatan” (“Do Sangue da Juventude da Pátria”). O registro, batizado de “Concerto Caravanserai”, alcançou ampla repercussão on-line.
Conforme apurado por defensores de direitos humanos, a sentença partiu de um tribunal criminal da província de Qom, que também puniu outros músicos que participaram do espetáculo. Até o momento, a agência oficial de notícias do Judiciário iraniano não confirmou a decisão.
As acusações
De acordo com advogados e entidades que tiveram acesso aos autos do processo, Parastoo responde por atentado ao pudor e por divulgar na internet “conteúdo vulgar e imoral”. Para organizações de defesa de direitos humanos, o desfecho do caso mostra que o cenário no país segue inalterado, independentemente do discurso oficial das autoridades.
Bahar Ghandehari, diretora do Centro para os Direitos Humanos no Irã, entidade sediada nos Estados Unidos, declarou que o episódio “é mais um lembrete de que as condições dos direitos humanos no Irã não mudaram, apesar da campanha de propaganda das autoridades iranianas durante a guerra para melhorar sua imagem”. Segundo ela, o caso expõe “a distância entre a propaganda do regime e a realidade”.
Reações públicas
A condenação gerou críticas nas redes sociais. A professora de Literatura Persa da Universidade da Pensilvânia, Fatemeh Shams, publicou no X uma série de mensagens contestando a postura das autoridades iranianas.
Em um dos trechos, ela afirmou que “a paz não é apenas o silêncio dos mísseis ou o fim das chamas dos bombardeios. A paz só tem sentido quando os corpos de mulheres e manifestantes inocentes deixam de ser alvo de violência desenfreada; quando chicotes, tortura e forcas deixam de ser instrumentos de governo”.
Shams completou defendendo que a estabilidade duradoura na região dependerá do fim da criminalização de mulheres por atividades cotidianas, como trabalhar, estudar ou cantar.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)