Candidata republicana queima Corão em campanha eleitoral
Valentina Gomez usa lança-chamas em vídeo e promete “acabar com o Islã”; ADL condena, mas ato é protegido pela Primeira Emenda
A candidata republicana ao congresso Valentina Gomez divulgou no Texas um vídeo em que aparece queimando um exemplar do Corão com um lança-chamas e promete “acabar com o Islã de uma vez por todas”.
Nas imagens, ela veste calça camuflada e camiseta de campanha com a silhueta de um fuzil e afirma que “a América é uma nação cristã”.
O vídeo encerra com a marca da campanha em que a letra “i” do nome aparece como uma bala e o slogan em inglês Powered by Jesus Christ, algo como “empoderada por Jesus Cristo” em tradução livre.
Gomez, de 26 anos, nasceu na Colômbia e imigrou para os Estados Unidos ainda criança. Em postagens recentes, ela se descreveu como “armada, não vacinada, sem pronomes e 100% America First”.
A candidata é apoiadora do ex-presidente Donald Trump e disputa a indicação republicana no 31º distrito do Texas contra o deputado John Carter.
A ação provocou forte reação. A Liga Antidifamação (ADL) afirmou que queimar um livro sagrado pode incitar violência contra muçulmanos e pediu condenação pública.
Já a comentarista Laura Loomer, conhecida por declarações contra radicais muçulmanos, elogiou a iniciativa e disse que gostaria de ver esse tipo de postura em outros parlamentares republicanos.
A Constituição americana garante, pela Primeira Emenda, a liberdade de expressão para manifestações simbólicas, como queimar textos religiosos, mesmo que ofensivas para parte da sociedade.
Esse tipo de ato só perde a proteção legal se estiver ligado a incitação direta e iminente de violência física. A jurisprudência da Suprema Corte dos Estados Unidos também reconhece a legalidade da queima da bandeira nacional como expressão política.
Não é a primeira vez que Gomez recorre a provocações semelhantes.
Em 2024, ao disputar a secretaria de Estado do Missouri, ela divulgou vídeo queimando livros voltados a adolescentes LGBT e declarou que, se eleita, “eles vão queimar”.
No fim do mesmo ano, publicou encenação de execução de um imigrante em situação irregular e defendeu execuções públicas em casos de crimes cometidos por estrangeiros.
A candidata também afirmou que não aceita doações da Associação Americana Israelense de Assuntos Públicos (AIPAC), mas declarou apoiar Israel por combater radicais muçulmanos.
Em entrevistas, elogiou políticas do governo chinês contra a minoria uigur, denunciadas como genocídio. Em mensagens dirigidas à deputada Ilhan Omar, escreveu que muçulmanos deveriam ser “abolidos”.
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Comentários (1)
MARCEL SILVIO HIRSCH
27.08.2025 12:05Parabéns Valentina, torço para que mais políticos pelo mundo, tenham a tua coragem. Principalmente na Europa.