Burkina Faso, Chade, Etiópia, Mali, Níger e outros seis países se unem em muralha de 8.000 km contra o deserto

05.08.2026

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Burkina Faso, Chade, Etiópia, Mali, Níger e outros seis países se unem em muralha de 8.000 km contra o deserto

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7 minutos de leitura 18.07.2026 11:23 comentários
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Burkina Faso, Chade, Etiópia, Mali, Níger e outros seis países se unem em muralha de 8.000 km contra o deserto

O projeto não é uma barreira contínua de árvores, mas um mosaico de restauração que une solo, água, agricultura e renda no Sahel.

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Burkina Faso, Chade, Etiópia, Mali, Níger e outros seis países se unem em muralha de 8.000 km contra o deserto

A Grande Muralha Verde pretende formar um corredor de restauração com cerca de 8.000 quilômetros através do Sahel africano. Apesar do nome, o projeto não é uma fileira contínua de árvores: reúne vegetação nativa, agricultura sustentável, recuperação do solo e conservação da água.

O que é a muralha de 8.000 quilômetros contra o deserto?

A Grande Muralha Verde é uma iniciativa liderada pela União Africana para restaurar paisagens degradadas entre o Senegal e Djibuti. Ela foi lançada em 2007 como resposta à desertificação, à perda de fertilidade do solo e à vulnerabilidade das comunidades rurais.

O desenho inicial previa um cinturão vegetal com aproximadamente 15 quilômetros de largura. A estratégia evoluiu para um mosaico de áreas produtivas e naturais, adaptado às condições de cada território, em vez de uma barreira florestal uniforme atravessando o continente.

Burkina Faso, Chade, Etiópia, Mali, Níger e outros seis países se unem em muralha de 8.000 km contra o deserto
Burkina Faso, Chade, Etiópia, Mali, Níger e outros seis países se unem em muralha de 8.000 km contra o deserto

Quais países formam o núcleo original da iniciativa?

O grupo central reúne Burkina Faso, Chade, Djibuti, Eritreia, Etiópia, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal e Sudão. Esses 11 países ocupam diferentes trechos da faixa semiárida situada ao sul do deserto do Saara.

A cooperação não começou em 2026. A iniciativa existe desde 2007 e passou a envolver mais países africanos e organizações internacionais, enquanto a nova estratégia continental da União Africana estabelece diretrizes de restauração e desenvolvimento resiliente para 2024–2034.

Quais metas transformam a Grande Muralha Verde em um megaprojeto?

O corredor de 8.000 quilômetros funciona como referência geográfica, mas as metas são calculadas por áreas recuperadas, carbono retido e oportunidades econômicas. O objetivo oficial para 2030 combina restauração ambiental com geração de renda nas zonas rurais.

A escala mostra que plantar árvores representa apenas uma parte do trabalho. Recuperar terras exige proteger mudas, melhorar o manejo agrícola, conservar umidade e manter as intervenções por anos, sempre com participação das comunidades que utilizam o território.

Os principais objetivos foram definidos nestas dimensões:

Meta Escala Finalidade
Corredor continental
Cerca de 8.000 km
Conectar ações pelo Sahel
Terra restaurada
100 milhões de hectares
Recuperar solo e produção
Carbono
250 milhões de toneladas
Ampliar armazenamento na paisagem
Empregos verdes
10 milhões de vagas
Fortalecer economias rurais

Como o projeto recupera áreas atingidas pela desertificação?

As técnicas variam conforme chuva, solo e uso da terra. Em alguns locais, agricultores protegem brotos que surgem naturalmente; em outros, implantam sistemas agroflorestais, recuperam pastagens, constroem estruturas para captar água e cultivam espécies adaptadas à seca.

No Sahel, a degradação não significa apenas avanço físico das dunas. Erosão, retirada excessiva de vegetação, perda de nutrientes, secas e manejo inadequado podem reduzir a produtividade mesmo longe da borda do Saara.

Cada método enfrenta uma parte diferente do problema:

Método Funcionamento Efeito buscado
Regeneração natural
Protege árvores que rebrotam
Recuperação com menor plantio
Agrofloresta
Combina árvores e lavouras
Produção e proteção do solo
Captação de água
Retém chuva e reduz escoamento
Mais umidade para as plantas
Manejo de pastagens
Controla pressão do rebanho
Evitar nova degradação

Quanto já foi realizado e quais obstáculos permanecem?

Um relatório da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação registrou, até dezembro de 2025, 389 projetos no observatório da iniciativa. Menos de 90 tinham dados compatíveis com o padrão harmonizado, limitando comparações.

Nos projetos informados, 1,66 milhão de hectares estavam em restauração, 24 milhões de toneladas de carbono haviam sido sequestradas ou evitadas e 4,6 milhões de empregos foram registrados. Os próprios números mostram resultados, mas também distância considerável da meta de 100 milhões de hectares.

Os maiores entraves estão concentrados nestes pontos:

  • Financiamento insuficiente ou difícil de converter em projetos locais.
  • Conflitos armados que restringem acesso e continuidade das equipes.
  • Monitoramento desigual entre países, programas e financiadores.
  • Secas severas que reduzem a sobrevivência da vegetação implantada.
  • Manutenção limitada após as primeiras etapas da restauração.

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Por que a muralha não consegue simplesmente barrar o Saara?

Desertos não avançam como uma frente única que possa ser interrompida por uma fileira de árvores. A degradação resulta da interação entre clima, solo, vegetação, produção rural e uso da água, exigindo soluções distribuídas por diferentes paisagens.

O sucesso será medido pela recuperação duradoura da fertilidade, da cobertura vegetal e da renda, não pela existência de uma linha verde contínua no mapa. Sem governança local, manutenção e segurança, áreas restauradas podem voltar a perder produtividade.

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