Burkina Faso, Chade, Etiópia, Mali, Níger e outros seis países se unem em muralha de 8.000 km contra o deserto
O projeto não é uma barreira contínua de árvores, mas um mosaico de restauração que une solo, água, agricultura e renda no Sahel.
A Grande Muralha Verde pretende formar um corredor de restauração com cerca de 8.000 quilômetros através do Sahel africano. Apesar do nome, o projeto não é uma fileira contínua de árvores: reúne vegetação nativa, agricultura sustentável, recuperação do solo e conservação da água.
O que é a muralha de 8.000 quilômetros contra o deserto?
A Grande Muralha Verde é uma iniciativa liderada pela União Africana para restaurar paisagens degradadas entre o Senegal e Djibuti. Ela foi lançada em 2007 como resposta à desertificação, à perda de fertilidade do solo e à vulnerabilidade das comunidades rurais.
O desenho inicial previa um cinturão vegetal com aproximadamente 15 quilômetros de largura. A estratégia evoluiu para um mosaico de áreas produtivas e naturais, adaptado às condições de cada território, em vez de uma barreira florestal uniforme atravessando o continente.

Quais países formam o núcleo original da iniciativa?
O grupo central reúne Burkina Faso, Chade, Djibuti, Eritreia, Etiópia, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal e Sudão. Esses 11 países ocupam diferentes trechos da faixa semiárida situada ao sul do deserto do Saara.
A cooperação não começou em 2026. A iniciativa existe desde 2007 e passou a envolver mais países africanos e organizações internacionais, enquanto a nova estratégia continental da União Africana estabelece diretrizes de restauração e desenvolvimento resiliente para 2024–2034.
Quais metas transformam a Grande Muralha Verde em um megaprojeto?
O corredor de 8.000 quilômetros funciona como referência geográfica, mas as metas são calculadas por áreas recuperadas, carbono retido e oportunidades econômicas. O objetivo oficial para 2030 combina restauração ambiental com geração de renda nas zonas rurais.
A escala mostra que plantar árvores representa apenas uma parte do trabalho. Recuperar terras exige proteger mudas, melhorar o manejo agrícola, conservar umidade e manter as intervenções por anos, sempre com participação das comunidades que utilizam o território.
Os principais objetivos foram definidos nestas dimensões:
Como o projeto recupera áreas atingidas pela desertificação?
As técnicas variam conforme chuva, solo e uso da terra. Em alguns locais, agricultores protegem brotos que surgem naturalmente; em outros, implantam sistemas agroflorestais, recuperam pastagens, constroem estruturas para captar água e cultivam espécies adaptadas à seca.
No Sahel, a degradação não significa apenas avanço físico das dunas. Erosão, retirada excessiva de vegetação, perda de nutrientes, secas e manejo inadequado podem reduzir a produtividade mesmo longe da borda do Saara.
Cada método enfrenta uma parte diferente do problema:
Quanto já foi realizado e quais obstáculos permanecem?
Um relatório da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação registrou, até dezembro de 2025, 389 projetos no observatório da iniciativa. Menos de 90 tinham dados compatíveis com o padrão harmonizado, limitando comparações.
Nos projetos informados, 1,66 milhão de hectares estavam em restauração, 24 milhões de toneladas de carbono haviam sido sequestradas ou evitadas e 4,6 milhões de empregos foram registrados. Os próprios números mostram resultados, mas também distância considerável da meta de 100 milhões de hectares.
Os maiores entraves estão concentrados nestes pontos:
- Financiamento insuficiente ou difícil de converter em projetos locais.
- Conflitos armados que restringem acesso e continuidade das equipes.
- Monitoramento desigual entre países, programas e financiadores.
- Secas severas que reduzem a sobrevivência da vegetação implantada.
- Manutenção limitada após as primeiras etapas da restauração.
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Por que a muralha não consegue simplesmente barrar o Saara?
Desertos não avançam como uma frente única que possa ser interrompida por uma fileira de árvores. A degradação resulta da interação entre clima, solo, vegetação, produção rural e uso da água, exigindo soluções distribuídas por diferentes paisagens.
O sucesso será medido pela recuperação duradoura da fertilidade, da cobertura vegetal e da renda, não pela existência de uma linha verde contínua no mapa. Sem governança local, manutenção e segurança, áreas restauradas podem voltar a perder produtividade.
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