Bruno Soller na Crusoé: Portugal vive o clima do Chega
Consolidado no ideário do eleitor, partido criado por André Ventura tenta não ficar preso à figura de seu líder máximo
Com menos de 6 anos de fundação, o Chega chegou chegando na política portuguesa.
Liderado por um ex comentarista esportivo, André Ventura (foto), que deu cara ao movimento, o partido surgiu de uma dissidência do tradicional PSD, partido pelo qual o próprio Ventura chegou a concorrer para a presidência da Câmara de Loures, na grande Lisboa.
Com uma defesa de temas polêmicos, como penas mais duras e prisão perpétua, cortes nos apoios sociais a quem considera “abusadores do sistema”, forte discurso de combate à corrupção, redução de impostos, menos Estado e uma política de imigração mais restritiva, o Chega virou um ponto de apoio para uma parcela da sociedade portuguesa, que não mais enxerga na política tradicional respostas para suas dores.
O fim da era Pedro Passos Coelho e a emergente liderança de Rui Rio posicionaram o PSD para um centro mais moderado, o que culminou na disruptiva saída de Ventura, que, aproveitando-se de seu alcance televisivo, iniciou uma cruzada contra os dois partidos considerados como bastiões do sistema político português, o PSD e o PS.
Janela de oportunidade
Inflamado pelo crescimento da direita mais radicalizada do mundo, com Trump, Bolsonaro e Le Pen, dentre outros, ganhando protagonismo na cena, Ventura viu uma janela de oportunidade para propor um grande projeto de ruptura com o status quo português.
Seu partido, desde então, tem tido um crescimento considerável. Nas legislativas de 2019, o partido teve apenas 1,29% dos votos (cerca de 67 mil) e elegeu um deputado, o próprio Ventura, marcando a entrada da chamada “extrema-direita” no parlamento português pela primeira vez desde a Revolução de 1974. O crescimento se acelerou em 2024, quando o Chega alcançou 18,07% (mais de 1,1 milhão de votos) e 50 deputados, consolidando-se como a terceira maior bancada.
Neste ano, após a queda do governo e novas eleições legislativas, o partido voltou a crescer: 22,76% dos votos e 60 deputados. Este…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)