Bruno Soller na Crusoé: O periclitante centro de Macron
Em 2017, atual presidente atraiu eleitores desiludidos com a polarização severa. Agora, não consegue manter um primeiro-ministro no cargo
Eleito presidente em 2017, Emmanuel Macron fundou o La République En Marche!, uma plataforma que mesclava elementos do centro liberal, de social-democratas e alguns setores do conservadorismo.
Sua candidatura representou uma ruptura com os partidos tradicionais, como o Partido Socialista e os Republicanos, atraindo eleitores desiludidos com a polarização severa.
Dados de pesquisas feitas à época de sua primeira candidatura indicam que Macron conquistou uma base significativa de apoio ao propor reformas econômicas e sociais voltadas para a inovação e a redução do papel do Estado na economia.
O sucesso de Macron inspirou movimentos de centro ao redor do globo.
Países como Itália, Espanha e até mesmo na América Latina, viram em seu modelo uma referência a uma política mais moderada e reformista, longe das posturas extremadas.
Assim, a figura de Macron consolidou-se como símbolo de uma terceira via que combina progresso econômico com estabilidade social, influenciando estratégias eleitorais e agendas políticas.
Apesar do entusiasmo inicial, Macron enfrenta atualmente uma série de desafios.
Desde 2022, seu governo vem sendo marcado por protestos massivos e uma crise nas relações com membros do próprio partido e do governo.
A queda da primeira-ministra Élisabeth Borne, em meio a dificuldades na condução de reformas e aumento da oposição, agravou essa situação.
Durante seu mandato, Borne enfrentou rebeliões internas, resistência de opositores e uma crescente insatisfação popular com os resultados das reformas propostas pelo governo Macron.
Após sua saída, Macron buscou uma nova estratégia.
Defendeu o nome de Gabriel Attal, o mais jovem político a chefiar um governo na quinta República francesa, mas o efeito não foi o esperado.
Em pouco menos de dez meses, ofereceu sua renúncia, com a crescente insatisfação popular e as pesquisas indicando um aumento do movimento conservador francês.
Com a antecipação das eleições legislativas, Macron precisou equilibrar seu pêndulo centrista para a direita.
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