Bolívia vai às urnas com direita como favorita
Eleição presidencial pode encerrar quase 20 anos de domínio do MAS, partido fundado por Evo Morales
Os bolivianos vão às urnas neste domingo, 17, em meio a uma das maiores crises econômicas de sua história. A eleição presidencial pode encerrar quase 20 anos de domínio do Movimento ao Socialismo (MAS), partido fundado por Evo Morales.
Pesquisas recentes indicam um segundo turno entre candidatos de direita. Os levantamentos mostram empate técnico entre o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, da Aliança Livre, e o empresário Samuel Doria Medina, da Aliança Unidade Nacional.
Direita à frente nas pesquisas
Quiroga governou o país entre 2001 e 2002 e é crítico de Morales desde os anos 1990. Ele defende reformas liberais e promete reestruturar a economia boliviana.
Já Doria Medina, multimilionário e ex-ministro, disputa a presidência pela quarta vez e promete tirar o país da crise econômica em cem dias, descrevendo-se como “o capitalista mais importante da Bolívia”.
Outros candidatos de direita, como Manfred Reyes Villa, aparecem em terceiro lugar, enquanto os representantes da esquerda estão muito atrás.
Andrónico Rodríguez, presidente do Senado e aliado histórico de Morales, soma cerca de 5,5% das intenções de voto, segundo levantamento da Ipsos-Ciesmori. Eduardo del Castillo, indicado pelo atual presidente Luis Arce, não supera 1%.
O esgotamento da esquerda
O MAS governou a Bolívia quase ininterruptamente desde 2006, com Evo Morales e depois com Luis Arce. O partido chegou ao poder prometendo nacionalização do gás e redistribuição de riqueza. Na prática, porém, houve queda na produção de gás e a dívida cresceu.
Morales, impedido de concorrer, apoia o voto nulo e afirma que “não vai fugir” e seguirá ativo politicamente.
Já Arce, impopular e com 95% de rejeição, desistiu da reeleição, indicando del Castillo como candidato. A decisão acentuou a fragmentação da esquerda e favoreceu os opositores.
Crise econômica e instabilidade social
O país enfrenta inflação de 25% nos últimos 12 meses, escassez de dólares, combustíveis e alimentos, além da drástica redução das exportações de gás.
A deterioração econômica agrava a insatisfação popular e pode determinar a guinada à direita nas urnas.
Quase oito milhões de bolivianos estão aptos a votar, e o voto é obrigatório.
Caso nenhum candidato alcance maioria absoluta no primeiro turno, um segundo turno será realizado em 19 de outubro. O vencedor assumirá a Presidência de 8 de novembro de 2025 a 8 de novembro de 2030.
A eleição de domingo também definirá os novos membros da Câmara dos Deputados e do Senado para o período 2025-2030.
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Comentários (1)
Marian
17.08.2025 09:36Boa sorte para os Bolivianos. Que sigam o bom exemplo da Argentina, depois da terra arrasada.