Boko Haram ameaça matar 416 reféns e exige resgate
Grupo jihadista diz que se as “exigências não forem atendidas” as vítimas, incluindo mulheres e crianças, serão “transferidas”
Um vídeo divulgado à imprensa nigeriana no domingo, 19, mostra terroristas do Boko Haram com fardamento militar e rostos encobertos anunciando um ultimato de três dias ao governo da Nigéria: pagar 5 bilhões de nairas — cerca de R$ 18,5 milhões — ou perder o rastro de 416 mulheres e crianças sequestradas na cidade de Ngoshe, no estado de Borno. O porta-voz do grupo, sem identificação, afirmou que a mensagem é “a primeira e a última”.
O ataque e o sequestro
Em março, militantes invadiram uma base militar em Ngoshe. Dezenas de pessoas morreram no confronto, entre civis e soldados. Mais de 400 moradores, predominantemente mulheres, foram levados à força durante a ação.
A Aliança Juvenil de Borno Sul (BOSYA), que atua como intermediária nas negociações, confirmou ter recebido a comunicação dos jihadistas e a classificou como “aviso final”. A organização apelou ao presidente Bola Tinubu e a líderes políticos do norte do país para que tomem providências antes do encerramento do prazo.
As ameaças e as exigências
No vídeo, os terroristas não apenas reafirmaram a exigência financeira como desafiaram abertamente as forças de segurança: o grupo afirmou “receber bem” qualquer tentativa de resgate pela força, alegando estar preparado para o combate.
“Se nossas exigências não forem atendidas, transferiremos essas vítimas, incluindo mulheres e crianças, para diferentes locais”, disseram os milicianos. “Olhem bem para elas antes disso, pois talvez nunca mais as vejam”.
Histórico de violência e sequestros em massa
O Boko Haram opera no nordeste da Nigéria desde 2002, e intensificou seus ataques após 2009, quando confrontos com forças de segurança transformaram o grupo em uma insurgência armada. A organização prega a imposição de uma versão rígida da sharia e rejeita a educação e os costumes de origem ocidental — daí o nome pelo qual ficou conhecido, que significa, em tradução livre, “a educação ocidental é proibida”.
Internamente dividido, o Boko Haram viu uma de suas facções declarar lealdade ao Estado Islâmico, dando origem ao grupo ISWAP. Apesar de ofensivas militares regionais, ambas as organizações seguem ativas no território nigeriano.