BBC acusada de manipular fala de Trump e interferir em eleição nos EUA
Relatório interno aponta que emissora pública britânica alterou discurso do republicano e criou impressão de incitação à invasão do Capitólio
A emissora pública britânica BBC foi acusada de manipular trechos de um discurso de Donald Trump para fazer parecer que ele seria o responsável pela invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
As informações foram reveladas nesta segunda, 3, pelo jornal The Telegraph, que teve acesso exclusivo a um relatório interno da própria corporação.
O documento, de 19 páginas, foi redigido por Michael Prescott, ex-integrante do comitê de padrões editoriais da BBC.
Segundo ele, o programa Panorama: Trump A Second Chance?, exibido uma semana antes da eleição americana, “enganou completamente os espectadores” ao juntar frases de momentos distintos do discurso no dia da invasão e suprimir a parte em que o republicano conclamava seus apoiadores a se manifestarem “de forma pacífica e patriótica”.
De acordo com The Telegraph, Prescott afirmou que o programa “fez Trump dizer coisas que nunca disse”.
A montagem teria criado “a impressão de que o presidente incitava seus seguidores à violência”, numa edição “tão distorcida que levantaria dúvidas sobre a credibilidade da BBC e seu compromisso com a imparcialidade”.
O relatório também acusa a emissora de usar imagens de homens marchando rumo ao Capitólio como se atendessem a um “chamado às armas” de Trump.
As cenas, segundo Prescott, foram gravadas antes mesmo de o discurso começar.
Para ele, o episódio representa “uma das mais graves distorções já exibidas pela emissora” e um possível caso de interferência externa em um processo eleitoral estrangeiro.
Prescott disse ter alertado o atual presidente da BBC, Samir Shah, sobre o “precedente perigoso” e a “falta de ação” da direção.
A diretora de jornalismo, Deborah Turness, e o chefe de conteúdo, Jonathan Munro, são citados por “recusarem-se a reconhecer qualquer violação”.
Em reunião interna, Munro teria dito que “editar discursos em versões curtas é prática normal”, o que o autor do dossiê classificou como violação direta das normas de imparcialidade.
O ex-primeiro-ministro Boris Johnson chamou o caso de “vergonha total” e disse que a BBC “usou um programa de prestígio para distorcer fatos sobre o principal aliado do Reino Unido”.
O deputado conservador Nigel Huddleston afirmou que “não há justificativa para esse tipo de manipulação deliberada”. A parlamentar Caroline Dinenage, presidente da comissão de cultura e mídia, confirmou que o tema será discutido nesta terça, 4, no Parlamento.
As acusações vêm à tona enquanto o governo britânico negocia o futuro da emissora e a renovação de sua carta real, que vence em 2027.
Em resposta ao The Telegraph, a BBC disse que “não comenta documentos vazados”, mas “considera cuidadosamente todo feedback recebido”.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
04.11.2025 15:01Uau! Isso deveria estar nas primeiras páginas de todos os jornais.