Bactéria geneticamente modificada recupera metais de baterias de rochas ricas em magnésio e ajudam a capturar CO2
A pesquisa utiliza uma cepa modificada da bactéria Gluconobacter oxydans, capaz de produzir ácidos orgânicos que aceleram a alteração de minerais como olivina e enstatita.
Uma bactéria geneticamente modificada por pesquisadores da Universidade Cornell pode abrir uma nova frente na corrida por matérias-primas para baterias e remoção de carbono.
Em testes de laboratório, o microrganismo conseguiu acelerar a dissolução de rochas ricas em magnésio e liberar até 75% do magnésio da olivina em apenas 15 dias, enquanto favorecia a recuperação de níquel e cobalto e a formação de um composto capaz de armazenar carbono.
Como a bactéria geneticamente modificada consegue retirar metais das rochas?
A pesquisa utiliza uma cepa modificada da bactéria Gluconobacter oxydans, capaz de produzir ácidos orgânicos que aceleram a alteração de minerais como olivina e enstatita.
O processo imita uma reação natural que ocorre durante o intemperismo das rochas, mas em uma velocidade muito maior.
O contato direto entre as bactérias e as partículas minerais foi especialmente eficiente. Nos experimentos, esse mecanismo ajudou a manter a produção de ácido e criou pequenas cavidades na superfície da olivina, facilitando a liberação dos elementos presentes na rocha.

Quais números tornam a descoberta tão impressionante?
Os resultados de laboratório mostram por que a tecnologia chamou atenção dos pesquisadores. O processo combina recuperação de recursos minerais com uma possível estratégia de armazenamento de carbono.
Por que o oxalato de magnésio pode mudar o jogo?
Um dos resultados mais inesperados foi a formação de oxalato de magnésio. O composto despertou interesse porque, teoricamente, cada átomo de magnésio pode estar associado a dois átomos de carbono, enquanto a magnesita apresenta uma relação de um para um.
Isso não significa que a tecnologia consiga automaticamente capturar o dobro de CO₂ em condições reais. A quantidade efetivamente convertida, a origem do carbono e a estabilidade do mineral ainda precisam ser comprovadas.
As escombreras de mineração podem virar uma fonte de metais e carbono?
É justamente nos resíduos de mineração que a proposta pode encontrar uma aplicação estratégica. Como essas rochas já foram extraídas e trituradas, seria possível reduzir parte da energia necessária para preparar o material antes do tratamento biológico.
A ideia é transformar um resíduo em uma possível fonte secundária de matérias-primas. O mesmo material poderia fornecer magnésio, níquel e cobalto e, simultaneamente, participar de um processo de armazenamento mineral de carbono.
O que ainda impede a tecnologia de chegar às minas?
Apesar do resultado expressivo, a descoberta ainda está longe de uma aplicação industrial. Os testes ocorreram em laboratório durante 15 dias, enquanto uma operação de mineração envolve milhões de vezes mais material e condições muito mais difíceis de controlar.
Antes de uma eventual expansão, os pesquisadores precisam determinar se o processo consegue gerar remoção líquida de CO₂, considerando energia, nutrientes, água, transporte e separação dos metais.
Também será necessário comprovar por quanto tempo o carbono permanece armazenado e se a tecnologia continua economicamente viável em grande escala.
Em outras palavras: a bactéria não é uma solução pronta para a crise climática ou para a demanda por metais de baterias. Mas o estudo de Cornell apresenta uma possibilidade incomum: usar microrganismos para transformar resíduos minerais em recursos valiosos enquanto se busca acelerar a retirada de carbono da atmosfera.
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