Aventureiros descem ao fundo do Mediterrâneo e encontram 1.400 círculos gigantes marcados na areia
O achado chamou atenção pelo tamanho e pelo desenho incomum no fundo do mar
A 120 metros de profundidade, a luz natural quase desaparece e o fundo do mar parece uniforme. Perto do Cap Corse, porém, mais de 1.400 círculos do Mediterrâneo formam um campo submarino com estruturas de cerca de 20 metros de diâmetro. Detectados por sonar em 2011, eles foram explorados por mergulhadores, submarinos e robôs da missão Gombessa.
O que são os círculos encontrados no fundo do Mediterrâneo?
Os círculos são formações coralígenas, estruturas duras criadas pelo crescimento de algas calcárias e outros organismos marinhos. Cada anel possui uma parte elevada no centro e uma faixa escura ao redor.
O Ministério francês responsável pelo mar informa que mais de 1.000 estruturas aparecem a cerca de 120 metros de profundidade. O campo fica ao largo do Cap Corse, na ilha francesa da Córsega.
Os anéis ocupam uma região protegida e também avançam por áreas vizinhas do Mediterrâneo.

Como os pesquisadores conseguiram explorar os anéis?
A equipe conseguiu estudar os anéis combinando sonar, mergulho de saturação, submarinos e veículos controlados à distância. O método permitiu permanecer mais tempo em uma profundidade que exige uma subida lenta.
A cronologia publicada pela Gombessa Expeditions resume as principais etapas da investigação:
O que existe dentro e ao redor das formações?
Os anéis reúnem restos de antigas estruturas calcárias e uma comunidade marinha viva. A parte central funciona como uma pequena elevação coberta por organismos adaptados à pouca luz.
A cartografia pública da expedição Gombessa 6 cobre profundidades entre 60 e 120 metros e registra habitats coralígenos em torno do Cap Corse.
Durante as descidas, a equipe observou:
- Algas calcárias: criam esqueletos de carbonato de cálcio e partes endurecidas.
- Rodólitos: pequenos nódulos de algas vermelhas formam parte da faixa circular.
- Corais e gorgônias: ocupam pontos elevados e aproveitam a passagem da água.
- Cavernas submersas: camadas de sedimento preservam sinais de uma antiga costa.
- Peixes e invertebrados: usam as estruturas como abrigo e área de alimentação.

Como esses círculos podem ter se formado?
A hipótese principal liga os anéis ao fim da última era glacial e à elevação do nível do Mediterrâneo. O processo teria ocorrido durante milhares de anos, com mudanças na luz, na profundidade e nos organismos presentes.
A investigação publicada pela National Geographic separa os elementos observados das etapas que ainda dependem de confirmação:
Por que os anéis precisam ser protegidos?
Os anéis precisam de proteção porque concentram biodiversidade rara e podem sofrer danos causados por âncoras e pelo tráfego marítimo. O ruído dos navios também é acompanhado pelas equipes responsáveis pela área.
O Parque Natural Marinho do Cap Corse e da Agriate protege habitats como rodólitos e formações coralígenas. Porém, o campo de anéis se estende por áreas externas ao parque, o que exige novas medidas de conservação.
Sem proteção, âncoras podem destruir em minutos estruturas formadas ao longo de milênios.
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