Ave extinta no país por 177 anos volta aos campos e emociona conservacionistas
Eliminada pela caça em 1832, uma grande ave voltou a reproduzir nos campos britânicos e agora enfrenta o desafio de manter a recuperação.
Durante 177 anos, os campos britânicos ficaram sem filhotes selvagens de uma ave eliminada regionalmente pela caça, coleta de ovos e transformação agrícola. A espécie era a abetarda-comum, reintroduzida em Salisbury Plain a partir de 2004 e novamente reproduzida em 2009.
Qual ave voltou após 177 anos?
A protagonista é a abetarda-comum (Otis tarda), uma grande ave de áreas abertas que vive boa parte do tempo no solo. O último núcleo britânico desapareceu em 1832, embora a espécie tenha sobrevivido em outras regiões da Europa e da Ásia.
A página sobre a abetarda-comum descreve seu porte elevado e a ligação com estepes e paisagens agrícolas extensivas. Essa preferência tornou Salisbury Plain, no sul da Inglaterra, uma área central para o retorno ao Reino Unido.

Por que a abetarda-comum desapareceu do país?
No século XIX, caça, coleta de ovos e perda de habitat pressionaram uma população que já era pequena. Mudanças nas práticas agrícolas também reduziram a disponibilidade de campos tranquilos e variados, necessários para alimentação, cortejo e nidificação no chão.
O tamanho da ave e o uso de terrenos abertos facilitavam sua localização por caçadores. Ao mesmo tempo, ninhos expostos ficavam vulneráveis à perturbação e às operações rurais, combinação que levou à extinção regional, não ao desaparecimento mundial da espécie.
Como começou a reintrodução nos campos britânicos?
O Great Bustard Group foi criado em 1998 e preparou estudos para avaliar um retorno viável. Com licença experimental do governo, o programa iniciou solturas em 2004 usando jovens provenientes de ovos recolhidos na Rússia; em anos posteriores, aves de origem espanhola reforçaram o grupo.
Os primeiros anos revelaram dificuldades reais: algumas aves morreram por predação ou colisões, e a sobrevivência exigiu ajustes no manejo. Ainda assim, indivíduos retornaram à área de soltura, formaram grupos e começaram a exibir comportamentos reprodutivos nos campos.
A sequência mostra como o projeto avançou até dispensar novas solturas:
O que aconteceu quando nasceram filhotes em 2009?
Uma tentativa de nidificação já havia sido observada em 2007. Dois anos depois, duas fêmeas fizeram ninhos e cada uma criou um filhote até a fase de voo, estabelecendo o primeiro sucesso reprodutivo britânico desde a extinção local.
O intervalo entre 1832 e 2009 explica o marco de 177 anos. O nascimento provou que as aves não apenas sobreviviam após a soltura: conseguiam cortejar, escolher locais de ninho e completar o ciclo reprodutivo em ambiente britânico.
A população atual ainda supera 100 aves?
O número acima de 100 corresponde ao patamar divulgado quando o projeto alcançou sua meta de população autossustentável. Contudo, a página específica de acompanhamento estima cerca de 70 aves no outono de 2024, dado mais recente e detalhado disponível publicamente.
Segundo o acompanhamento do Great Bustard Group, aproximadamente um terço das aves havia nascido e sido criado por seus pais em Wiltshire. Os três locais de soltura estavam reproduzindo, e mais de 20 ninhos foram localizados em 2022.
Os indicadores se referem a momentos diferentes da recuperação:
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Por que a recuperação ainda exige proteção?
Autossustentável significa que a população pode se renovar por reprodução natural sem importações regulares, não que esteja livre de risco. Com poucas dezenas de indivíduos, temporadas ruins, colisões, predação ou perda de áreas de ninho ainda podem alterar rapidamente o total.
A continuidade depende de monitoramento, cooperação com proprietários rurais e proteção de ninhos durante trabalhos agrícolas. O retorno da ave transforma a paisagem em símbolo de esperança, mas seu futuro será decidido pela qualidade e pela segurança dos campos onde agora volta a nascer.
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