Ave extinta na natureza desde 1988 volta a voar livre com 6 exemplares, 127 adultos preservados e meta de formar 10 casais reprodutores
A ave extinta na natureza desde 1988 voltou a voar sem barreiras após mais de três décadas sob cuidados humanos. A primeira soltura levou seis exemplares a uma ilha protegida, enquanto o programa mantém 127 adultos e busca formar dez casais reprodutores. Qual é a ave extinta que voltou a voar livre? A espécie é...
A ave extinta na natureza desde 1988 voltou a voar sem barreiras após mais de três décadas sob cuidados humanos. A primeira soltura levou seis exemplares a uma ilha protegida, enquanto o programa mantém 127 adultos e busca formar dez casais reprodutores.
Qual é a ave extinta que voltou a voar livre?
A espécie é o sihek, nome usado pelo povo CHamoru para o martim-caçador-de-Guam. A ave, de nome científico Todiramphus cinnamominus, existia naturalmente apenas em Guam e foi classificada como extinta na natureza após o desaparecimento de sua população selvagem.
O sihek mede cerca de 22 centímetros e possui asas azul-metálicas, cabeça grande e bico forte. Embora pertença ao grupo dos martins-pescadores, alimenta-se principalmente de insetos, aranhas, pequenos lagartos e crustáceos capturados no solo da floresta.

Por que o sihek desapareceu da natureza em 1988?
A principal causa foi a cobra-arbórea-marrom, espécie invasora introduzida acidentalmente em Guam. Sem defesa contra esse predador, várias aves nativas desapareceram rapidamente, e o último sihek selvagem foi registrado em 1988.
Uma operação de emergência retirou os indivíduos restantes da ilha e iniciou a reprodução sob cuidados humanos. Como toda a população atual descende de poucos fundadores, o programa precisa planejar os cruzamentos para reduzir a perda de diversidade genética.
Como os seis exemplares foram preparados para a soltura?
Os seis primeiros siheks foram libertados em setembro de 2024, após passarem por criação especializada e aclimatação em viveiros no Atol Palmyra. Nove jovens chegaram ao local, mas três permaneceram temporariamente nos recintos até atingirem condições adequadas para a vida livre.
Pequenos transmissores permitiram acompanhar deslocamento, alimentação e saúde. A equipe também manteve comida suplementar durante a adaptação, sem impedir que as aves aprendessem a caçar, defender territórios e explorar a floresta por conta própria.
A transição para a natureza seguiu estas etapas:
O que representam 127 adultos mantidos em 25 instituições?
Os 127 adultos eram o total informado no anúncio da soltura, em setembro de 2024. Distribuídos entre 25 instituições, eles funcionam como uma população de segurança e fornecem ovos ou filhotes para futuras liberações planejadas.
Os centros compartilham registros de parentesco, reprodução e saúde para escolher pares compatíveis. O número pode variar com nascimentos, mortes e transferências, por isso deve ser entendido como o retrato do programa naquele momento, e não como uma contagem permanente.
Por que Palmyra foi escolhida e qual é a meta de dez casais?
O Atol Palmyra foi escolhido por ser protegido e livre de predadores invasores como ratos e cobras. A floresta tropical oferece alimento, locais de nidificação e uma estrutura de pesquisa que permite acompanhar as aves sem mantê-las confinadas.
O plano do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos prevê solturas anuais de até nove aves, com meta inicial de dez casais reprodutores. A estimativa oficial indica espaço para cerca de 20 casais, permitindo crescimento após a formação do núcleo.
Os números mostram como cada frente sustenta a recuperação:
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O que ainda precisa acontecer para a espécie voltar a Guam?
O retorno definitivo depende do controle da cobra-arbórea-marrom em Guam. Palmyra funciona como uma etapa intermediária para recuperar comportamentos selvagens, ampliar a população mundial e testar métodos que poderão ser usados quando áreas seguras existirem na ilha de origem.
Os sinais iniciais são favoráveis: em 2025, os nove indivíduos estavam vivos, oito formaram quatro pares e três pares puseram ovos. A recuperação, porém, exige nascimento e sobrevivência de filhotes, diversidade genética e reprodução contínua sem dependência permanente de alimento suplementar.
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