Ave desaparecida por 140 anos surge diante de uma câmera e provoca euforia entre pesquisadores
Uma câmera automática encerrou décadas de incerteza, mas o registro também expôs dúvidas sobre população, habitat e risco de desaparecimento.
Durante 140 anos, a ausência de imagens modernas transformou uma ave terrestre de ilha tropical em uma das grandes incógnitas da ornitologia. Em setembro de 2022, uma câmera automática registrou o pombo-faisão-de-nuca-preta a dois dias do fim de uma expedição.
Qual ave reapareceu depois de 140 anos sem confirmação?
A ave é o pombo-faisão-de-nuca-preta, conhecido cientificamente como Otidiphaps insularis. Ele vive apenas na Ilha Fergusson, no arquipélago de D’Entrecasteaux, a leste de Papua-Nova Guiné, e passa grande parte do tempo caminhando pelo chão da floresta.
O pombo-faisão recebe esse nome por causa do tamanho e da cauda larga, que lembram um faisão. Algumas classificações tratam a forma de nuca preta como espécie própria; outras a consideram uma subespécie do pombo-faisão.

O intervalo sem registros foi realmente de 140 anos?
Os 140 anos foram calculados a partir dos exemplares coletados em 1882 e usados na descrição científica. Esse foi o intervalo divulgado em 2022, quando as primeiras fotografias e filmagens modernas confirmaram que a ave continuava existindo.
O estudo acadêmico posterior também menciona um espécime obtido em 1896. Por esse critério, o intervalo estrito entre a última coleta histórica e o vídeo de 2022 foi de 126 anos, embora a expressão “perdida por 140 anos” tenha permanecido conhecida.
Como a câmera encontrou a ave perto do fim da expedição?
A equipe passou cerca de um mês na Ilha Fergusson, entrevistou moradores e instalou 20 câmeras automáticas. Doze ficaram nas encostas do Monte Kilkerran e outras oito foram posicionadas em locais indicados por caçadores que conheciam a floresta.
Uma câmera instalada a aproximadamente mil metros de altitude, perto do rio Kwama, gravou a ave caminhando e abrindo a cauda. O registro ocorreu dois dias antes da saída prevista, quando os pesquisadores estimavam uma chance inferior a 1% de obter uma imagem.
Quatro dados resumem o momento da redescoberta:
Por que o conhecimento dos moradores foi decisivo?
Moradores conheciam a ave pelo nome local Auwo, mesmo sem documentação científica recente. O caçador Augustin Gregory descreveu encontros e chamados em uma região de vales e cristas íngremes, direcionando a equipe para uma área de mata densa.
O especialista local Doka Nason instalou a câmera responsável pelo registro. Uma busca anterior, realizada em 2019 durante duas semanas, não encontrou vestígios, mas reuniu relatos que ajudaram a planejar a expedição seguinte e mostraram o valor do conhecimento mantido pelas comunidades.
A redescoberta significa que a espécie está protegida?
Não. A imagem apenas confirmou que o pombo-faisão-de-nuca-preta sobrevive; ela não determinou quantos indivíduos existem. A equipe considera provável que a população seja muito pequena, esteja diminuindo e dependa de florestas pouco perturbadas no interior da ilha.
A região enfrenta pressão de extração de madeira e alteração do habitat. Como poucas pessoas entrevistadas haviam visto ou ouvido a ave, os pesquisadores consideraram que a floresta montanhosa registrada pela câmera pode representar um de seus últimos refúgios.
O registro trouxe respostas, mas manteve perguntas centrais:
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O que os pesquisadores precisam fazer depois da descoberta?
As próximas etapas incluem estimar a população, mapear a distribuição e identificar áreas de reprodução e alimentação. Esse trabalho depende da participação das comunidades, porque elas conhecem trilhas, nomes locais, sons e mudanças na floresta que levantamentos rápidos podem não registrar.
O estudo publicado em 2025 formalizou os resultados da expedição. O registro resolveu a dúvida sobre a sobrevivência da ave, mas a proteção de seu habitat determinará se ela continuará existindo fora das câmeras.
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