Autoridades chinesas encobriram envenenamento de crianças por chumbo
Os níveis de chumbo nos alimentos oferecidos às crianças ultrapassaram o padrão nacional de segurança alimentar em até 2.000 vezes
Autoridades de saúde da província de Gansu, na China, e funcionários de hospitais estão envolvidos em um caso de manipulação de testes sanguíneos relacionados a envenenamento por chumbo que afetou mais de 250 crianças em idade pré-escolar.
Este incidente marca uma rara admissão de um encobrimento em nível elevado diante de um escândalo público.
O governo provincial acusou também os responsáveis pela educação na cidade de Tianshui de ignorarem o fato de que a instituição educacional em questão não possuía licença adequada e aceitava presentes não autorizados de um investidor ligado à escola.
As inspeções de segurança alimentar realizadas no local foram descritas como superficiais, segundo um relatório oficial divulgado no último domingo por uma equipe especial convocada pelo comitê do Partido Comunista da província.
Contaminação
Antes mesmo da divulgação do relatório, o escândalo já dominava discussões públicas na China, onde a segurança alimentar é uma preocupação persistente.
A contaminação foi atribuída ao uso de pigmentos em pó como corantes alimentares pelos funcionários da escola, que continham mais de 20% de chumbo e foram rotulados como inadequados para consumo.
Os níveis de chumbo nos alimentos oferecidos às crianças ultrapassaram o padrão nacional de segurança alimentar em até 2.000 vezes.
Má conduta oficial
A revelação dos resultados da investigação intensificou a indignação pública em relação à má conduta oficial em múltiplos níveis.
Pais preocupados já haviam expressado suspeitas sobre um possível encobrimento e até levaram seus filhos para testes em outras províncias.
Um dos casos analisados mostrou que uma criança apresentou níveis elevados de chumbo seis vezes durante um período de seis meses, sem que o hospital local emitisse qualquer alerta.
Além disso, o Tianshui No. 2 People’s Hospital alterou os registros de dois outros alunos que também apresentaram níveis elevados, reportando valores muito inferiores aos reais.
“O que deveria ter sido seguido não foi, e os resultados dos testes foram diretamente modificados”, destacou o relatório, que classificou a gestão do hospital como “caótica”.
Também foi mencionado que houve alterações anteriores em outros resultados de testes sanguíneos que estão sob investigação.
Até o momento, seis pessoas foram presas, incluindo o diretor da escola e os cozinheiros envolvidos.
Outras 17 pessoas estão sob investigação criminal, incluindo líderes do hospital e representantes da comissão provincial de saúde e da secretaria municipal da educação.
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Comentários (1)
Rosa
21.07.2025 11:55Encobrimento deve ser regra Lá. Medo de mostrar algi errado e depius ser castigado pelos poderosos.. . E em sendo assim, penso na época da covid o que não foi encoberto....