Áudio mostra lapsos de memória de Biden em depoimento a procurador
Na gravação, o democrata divaga sobre a imprensa de Gutenberg, o comediante Jay Leno e a resistência de Obama à sua candidatura em 2016
Gravações de áudio obtidas pelo site Axios mostram o ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden com dificuldades para se lembrar de datas e eventos importantes durante depoimento ao procurador especial Robert Hur, em outubro de 2023. O áudio de quatro minutos foi divulgado na noite de sexta-feira, 17, e reforça questionamentos sobre a saúde mental do democrata, então com 81 anos.
No depoimento, realizado na Casa Branca em dois dias consecutivos, logo após os ataques do Hamas a Israel, Biden hesita ao responder sobre o manuseio de documentos confidenciais, se confunde com as datas da eleição de Donald Trump e da morte de seu filho Beau. As respostas são marcadas por pausas longas, murmúrios e desvios de assunto.
“Bem… eu não sei”, diz Biden em um dos trechos, ao ser questionado sobre onde teria guardado documentos sigilosos.
Em seguida, ele passa a relatar episódios desconexos, como conversas sobre sua eventual candidatura em 2016. Em outro momento, ele demonstra incerteza sobre quando exerceu a vice-presidência: “Se foi em 2013, quando parei de ser vice-presidente?”, questiona.
O áudio também mostra Biden se referindo à resistência de Barack Obama a uma eventual candidatura sua em 2016 e chega a divagar sobre temas como a imprensa de Gutenberg e um passeio de Corvette com o comediante Jay Leno.
Em outro trecho, o democrata teve dificuldade para se lembrar de quando seu filho Beau morreu. “Em que mês Beau morreu?”, perguntou. “Meu Deus, 30 de maio”, acrescentou. Uma pessoa diz então que a morte de Beau ocorreu em 2015. Biden questiona: “Ele morreu em 2015?”
A transcrição da entrevista já havia sido publicada em 2024, quando Hur decidiu não apresentar acusações contra Biden. No relatório, o procurador especial justificou a decisão afirmando que um júri provavelmente veria o presidente como “um homem idoso, bem-intencionado, mas com a memória fraca”.
Na época, a Casa Branca criticou duramente essa caracterização de Biden e se recusou a divulgar os áudios, alegando privilégio executivo e risco para futuras investigações.
Agora sob o governo Trump, autoridades do Departamento de Justiça planejam liberar o restante das gravações.
Mesmo com aliados democratas tentando minimizar o episódio na época, a repercussão culminou em um momento decisivo meses depois: o debate desastroso com Donald Trump em junho de 2024. Após o embate, Biden enfrentou forte pressão interna e acabou desistindo da candidatura à reeleição, sendo substituído pela vice-presidente Kamala Harris.
Os republicanos vinham exigindo há mais de um ano a divulgação do áudio, alegando que as gravações comprovariam um declínio mental incompatível com o exercício da presidência.
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