Ataque russo a fila de distribuição de alimentos mata 33 na Ucrânia
Bombardeio em vilarejo ucraniano atingiu ponto de ajuda; ONU vê possível violação do direito humanitário
Trinta e três pessoas morreram em bombardeios da Rússia contra um ponto de entrega de mantimentos em Komyshuvakha, vilarejo da região de Zaporíjia, no sul da Ucrânia. O número foi divulgado nesta terça-feira, 3, por autoridades ucranianas e pela missão de direitos humanitários da ONU. Os ataques ocorreram na segunda, 2.
Dezenas de pessoas continuam desaparecidas. As equipes de resgate vasculham os restos de uma antiga escola e de um abrigo atingidos. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que mais de 50 pessoas podem estar soterradas.
O que diz a ONU
Segundo a missão da ONU, os russos usaram bombas planadoras lançadas de aeronaves contra moradores que aguardavam na fila. O organismo informou que data e local da distribuição haviam sido divulgados com antecedência.
A chefe da missão na Ucrânia, Danielle Bell, declarou: “Dezenas foram mortas enquanto civis se reuniam para receber ajuda humanitária em Komyshuvakha. O horário e o local da distribuição de ajuda humanitária haviam sido amplamente divulgados”.
Bell apresentou duas hipóteses sobre a conduta russa: “Ou as forças armadas russas sabiam que uma distribuição de ajuda humanitária estava ocorrendo, ou deixaram de tomar as medidas mais básicas para descobrir o que estava acontecendo neste vilarejo que planejavam atacar”. Ela concluiu: “Em qualquer um dos casos, esse ataque parece ter violado os princípios mais fundamentais do direito humanitário internacional”.
Bombardeio em duas etapas
Zelenski disse na segunda que as tropas russas atacaram o local mais de uma vez. Após os primeiros impactos, as pessoas correram para um abrigo, que também foi atingido. O presidente chamou o método de “duplo impacto” e classificou o episódio como um dos ataques mais letais da guerra.
O chefe interino da administração militar de Zaporíjia, Mykhailo Semikin, informou que entre os mortos há dois socorristas e quatro policiais. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas. A região decretou três dias de luto oficial.
Semikin afirmou: “Esta é uma das piores tragédias em termos de número de vítimas civis em nossa região desde o início da guerra”.
Fim de trégua em Oleshky
O bombardeio aconteceu depois do término de um cessar-fogo de seis dias em Oleshky, cidade ocupada pela Rússia. A pausa permitiu a saída de moradores que estavam isolados pelos combates. Foi a trégua de maior alcance entre Moscou e Kiev desde 2022.
Zelenski, que visitava Berlim e se reuniu com o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, disse ter proposto prolongar a trégua: “Oferecemos à Rússia a extensão do cessar-fogo em Oleshky, mas esta foi a resposta: novos ataques, novos bombardeios, novos assassinatos de nosso povo”.
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