Ataque hacker à TV estatal do Irã exibe apelo de Reza Pahlavi contra o regime
Vídeos editados do príncipe herdeiro conclamam militares a se unirem aos manifestantes
Um ataque hacker à televisão estatal iraniana no domingo, 18, transmitiu vídeos editados do príncipe herdeiro, Reza Pahlavi, convocando as forças armadas e de segurança do país a se unirem aos manifestantes contrários ao regime.
“Tenho uma mensagem especial para os militares: vocês são o exército nacional do Irã, não o exército da República Islâmica. Vocês têm o dever de proteger a vida de seus concidadãos. Não lhes resta muito tempo. Juntem-se ao povo o mais rápido possível.”
Em outro trecho, Pahlavi afirmou que funcionários de instituições estatais e integrantes das forças armadas e de segurança ainda teriam uma escolha a fazer.
“Eles têm a oportunidade de se unir ao povo e apoiar a nação, ou de se unir aos assassinos do povo e atrair sobre si a vergonha e a maldição eternas da nação”, declarou.
Edição
Os trechos exibidos parecem ter sido retirados de vídeos publicados por Pahlavi em suas redes sociais nos dias 12 e 13 de janeiro, posteriormente editados e retransmitidos durante a interrupção da programação da televisão estatal no domingo.
Até o momento, não ficou claro quem foi o responsável pelo ataque cibernético.
As mensagens também afirmavam que forças de segurança estariam se retirando dos principais centros urbanos e que “milhares de membros das forças armadas depuseram suas armas e juraram lealdade ao povo”, declarações que não puderam ser verificadas de forma independente.
Durante a invasão do sinal, a emissora exibiu gráficos em farsi com mensagens contra a República Islâmica, incitando a população iraniana a manter os protestos contra o regime clerical.
Protestos
Desde 28 de dezembro, iranianos foram às ruas pedindo a morte do líder supremo Ali Khamenei, alimentou esperanças de que os iranianos, enfim, poderiam se ver livres do regime teocrático.
O presidente americano Donald Trump afirmou que “a ajuda” chegará aos iranianos, sem dar mais detalhes.
A insatisfação alcançou vários setores da população, incluindo o dos comerciantes tradicionais — os chamados bazaaris.
Até agora, Khamenei segue no comando do país. Mas o aiatolá está debilititado de saúde e já completou 86 anos.
Sua permanência, portanto, é incerta, o que levantou múltiplas especulações.
Ocorre que nem sempre a queda de um ditador representa o fim de um regime.
Uma eventual captura, morte ou assassinato de Khamenei não necessariamente significaria o colapso da estrutura repressiva do país.
Diferentemente de regimes personalistas, o sistema iraniano é sustentado por uma complexa engrenagem militar.
“Quando cai um líder, a chance de cair todo o regime é muito grande. Mas, como o Irã é uma estrutura muito enraizada, uma mudança é menos provável que em uma ditadura personalista”, afirma Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM e coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios do Oriente Médio.
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