Ataque em sinagoga expõe avanço do antissemitismo no Ocidente

12.07.2026

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Ataque em sinagoga expõe avanço do antissemitismo no Ocidente

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Alexandre Borges
5 minutos de leitura 03.10.2025 05:32 comentários
Mundo

Ataque em sinagoga expõe avanço do antissemitismo no Ocidente

Colunista britânico afirma que violência em Manchester não foi isolada, mas consequência de ambiente de hostilidade que se espalha há anos

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Alexandre Borges
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Ataque em sinagoga expõe avanço do antissemitismo no Ocidente
Foto: Reprodução

O atentado diante da sinagoga Heaton Park, em Manchester, voltou a acender o alerta sobre o avanço do antissemitismo no Reino Unido e em outros países ocidentais.

O episódio, ocorrido no Yom Kippur e classificado pela polícia antiterrorismo como terrorismo, deixou dois mortos e três feridos graves.

A tragédia levou líderes políticos a reforçar a segurança em sinagogas e escolas judaicas, mas também abriu espaço para análises sobre a origem desse clima de violência.

Entre as reações, o escritor britânico Brendan O’Neill publicou nesta quinta, 2, no portal americano The Free Press, que o Reino Unido “virou um país onde judeus são mortos em seu local de culto”.

Para o colunista, o ataque não foi um ato isolado, mas resultado de uma onda crescente de hostilidade contra judeus que vinha sendo ignorada por autoridades e formadores de opinião.

O’Neill citou dados da Community Security Trust, entidade que monitora crimes de ódio no Reino Unido, segundo os quais os episódios de antissemitismo aumentaram 589% após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.

No ano seguinte, foram registrados 4.103 incidentes, o maior número desde o início da série histórica.

Somente no primeiro semestre de 2025, a organização contabilizou 1.521 ocorrências, patamar 58% superior à média anterior a outubro de 2023.

No artigo, ele também relacionou agressões em ruas de Londres e ataques contra prédios judaicos a episódios mais recentes em outros países.

Em Boulder, no Colorado, uma idosa de 82 anos morreu após um ataque com coquetéis molotov em uma caminhada de apoio a reféns israelenses.

Em Washington, D.C., um casal de funcionários da Embaixada de Israel foi morto a tiros na saída de um evento comunitário, em crime classificado como ódio religioso pelas autoridades americanas.

Segundo o colunista, os sinais de radicalização vinham sendo minimizados e até ridicularizados. Pichações em sinagogas, humilhações contra judeus ortodoxos e agressões a crianças e idosos foram registrados em várias cidades britânicas sem que houvesse resposta firme do poder público.

Para O’Neill, “Heaton Park é um aviso” de que a escalada do antissemitismo pode corroer a segurança e a própria noção de civilização no Ocidente.

A longa história do antissemitismo no Reino Unido

O atentado em Manchester se inseriu em uma trajetória muito mais ampla da presença judaica no Reino Unido, marcada por séculos de perseguições, expulsões e reincidências de antissemitismo.

Pesquisas históricas mostram que os judeus chegaram à Inglaterra no século XI e logo enfrentaram massacres, como o de York em 1190, além de acusações falsas como o “libelo de sangue”, que surgiram ainda na Idade Média.

Em 1290, a comunidade judaica foi expulsa por decreto do rei Eduardo I, retornando apenas no século XVII, sob Oliver Cromwell.

Mesmo após a readmissão, os judeus foram submetidos a restrições legais e sociais, só superadas gradualmente no século XIX, com a emancipação civil e a possibilidade de ocupar cargos públicos.

Ondas de imigração vindas da Europa Oriental no início do século XX reacenderam campanhas de hostilidade, exploradas por movimentos fascistas.

Na década de 1930, a União Britânica de Fascistas, liderada por Oswald Mosley, promoveu atos antijudaicos, culminando na Batalha de Cable Street, em 1936, quando judeus e aliados antifascistas barraram uma marcha planejada pelo grupo em Londres.

Durante a Segunda Guerra Mundial, apesar da simpatia pelas vítimas do Holocausto, o governo britânico restringiu a entrada de refugiados judeus e manteve limites à imigração para a Palestina sob mandato britânico.

No pós-guerra, surtos de violência antijudaica ocorreram em 1947, após ataques de grupos sionistas contra soldados britânicos. A partir da década de 1960, a legislação contra discriminação racial ofereceu alguma proteção formal, mas grupos de extrema-direita continuaram a pregar teorias conspiratórias.

Nos últimos anos, relatórios da Community Security Trust (CST) mostram que a hostilidade voltou a crescer em ritmo acelerado, com recordes sucessivos de incidentes.

Em 2023, foram 4.103 registros de ataques ou ameaças, número quase três vezes maior que no ano anterior. O aumento coincidiu com os conflitos no Oriente Médio, refletindo a conexão entre política internacional e manifestações locais de ódio.

Pesquisas recentes também indicam que visões antissemitas se espalham entre jovens britânicos, em parte alimentadas por teorias conspiratórias e pelo discurso online.

A história mostra que o antissemitismo no Reino Unido nunca desapareceu por completo, apenas mudou de forma ao longo dos séculos.

O ataque em Manchester, ocorrido no Yom Kippur, é a continuidade desse ciclo: uma lembrança de que, mesmo em uma democracia consolidada, a comunidade judaica permanece alvo de violência recorrente.

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