Ataque em sinagoga deixa 4 feridos em Manchester
Polícia reage com tiros contra suspeito e declara incidente grave; primeiro-ministro convoca reunião de emergência em Londres
Quatro pessoas ficaram feridas em um ataque nas proximidades da Heaton Park Hebrew Congregation, em Crumpsall, no norte de Manchester, na manhã desta quinta, 2.
Segundo a Polícia da Grande Manchester (GMP), um carro foi lançado contra fiéis e um homem esfaqueado. O suspeito foi baleado por agentes armados e a área permanece isolada.
A GMP informou que recebeu a primeira chamada às 9h31, horário local, e declarou incidente grave às 9h37. Um minuto depois, policiais dispararam contra o agressor.
Em nota, a corporação disse acreditar que o homem atingido seja o autor do ataque, mas não confirmou seu estado de saúde. O prefeito Andy Burnham afirmou inicialmente que o suspeito permanecia vivo, mas depois declarou à BBC que havia informações sobre sua morte, ainda não confirmadas oficialmente.
O Serviço de Ambulância do Noroeste prestou atendimento às vítimas, feridas tanto pelo veículo quanto por arma branca. As autoridades pediram que a população evite a região de Middleton Road.
O protocolo nacional PLATO, usado em resposta a ataques terroristas, foi acionado. O caso, no entanto, ainda não foi formalmente classificado como terrorismo.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, cancelou compromissos em Copenhague e retornou ao país para liderar reunião de emergência do comitê Cobra.
Em declaração, disse estar “chocado” com o ataque e agradeceu aos serviços de emergência. Starmer afirmou que acompanha de perto a situação e reforçou apoio à comunidade judaica.
Escalada de antissemitismo
O ataque ocorre em meio ao aumento dos incidentes antissemitas no Reino Unido.
Segundo o Community Security Trust (CST), organização que monitora crimes de ódio contra judeus, o país registrou 3.528 episódios em 2024, o segundo maior número já documentado.
Somente no primeiro semestre de 2024, a Grande Manchester somou 268 casos, atrás apenas de Londres.
Influência muçulmana crescente
A população muçulmana britânica passou de 1,6 milhão em 2001 para 4 milhões em 2021, segundo o censo. Hoje representa 6% do total. Em cidades como Birmingham, Bradford e Leicester, a presença supera 30% em bairros inteiros.
Projeções indicam que esse percentual pode chegar a mais de 17% até 2050.
As eleições de 2024 elegeram 25 deputados muçulmanos, número recorde, a maioria pelo Partido Trabalhista. Além disso, há mais de 500 conselheiros locais muçulmanos em todo o país, 75% deles trabalhistas.
Conselhos da Sharia também atuam de forma paralela na resolução de disputas familiares e financeiras, e o setor de finanças islâmicas já movimenta mais de 6 bilhões de libras.
Atitudes extremistas
Pesquisas indicam que apenas um terço dos muçulmanos britânicos tem visão positiva sobre judeus, contra 74% da população geral.
Um levantamento mostrou que 37% consideram os judeus “alvos legítimos” no contexto do conflito no Oriente Médio.
Além disso, 8% afirmam que o Holocausto é um mito e 14% acreditam que foi exagerado. Entre frequentadores assíduos de mesquitas, esses índices chegam a 18%.
Esses dados reforçam a preocupação das autoridades com a penetração de visões radicais dentro da comunidade muçulmana.
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Comentários (1)
Marcia Elizabeth Brunetti
02.10.2025 08:58Desejo que os britânicos encontrem uma forma efetiva de acabar com essa praga. Muçulmanos que só desejam o mal em nome de um Deus violento que não aceita valores deferentes dos que os seus.