Ataque a bomba na Colômbia mata 21 em período eleitoral
Atentado é atribuído a dissidentes das Farc; desde a sexta-feira foram registradas 31 ações da guerrilha pelo país
Uma explosão em uma rodovia no departamento de Cauca, sudoeste da Colômbia, matou 21 pessoas e feriu outras 56 no sábado, 25.
O ataque mais letal contra a população civil em mais de duas décadas foi atribuído a uma facção dissidente das extintas Farc (Forças Revolucionárias da Colômbia), liderada pelo insurgente Iván Mordisco.
O episódio é mais um em uma sequência de 31 ações armadas registradas em um único fim de semana em três departamentos da região. No dia 31 de maio estão marcadas eleições presidenciais na Colômbia. Gustavo Petro não pode tentar reeleição.
O ataque e suas consequências
A explosão abriu uma cratera no meio da estrada e destruiu ao menos dez veículos. Corpos de vítimas foram encontrados desmembrados no local, segundo registros da agência AFP.
Em Cajibío, cidade próxima ao ponto da detonação, centenas de moradores foram às ruas vestidos de branco em protesto. “Por favor, chega de mortes, chega de violência”, declarou Joao Valencia, de 42 anos, familiar de uma das vítimas.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, confirmou o saldo de mortos à rádio Caracol nesta segunda-feira, 27, e declarou que “o terrorismo, quando empregado dessa maneira, é porque a pressão é tão forte que a única opção é atacar os mais indefesos”.
Para Laura Bonilla, vice-diretora da Fundação Paz e Reconciliação, a estratégia dos dissidentes visa produzir “insegurança e desestabilização” para manter controle sobre a população civil e pressionar autoridades locais.
O pesquisador Gerson Arias, da Fundação Ideas para la Paz, alerta que os grupos armados do país chegaram a 27.000 combatentes — o dobro do registrado dez anos atrás.
Presidenciáveis politizam
Os principais candidatos à presidência reagiram à violência com leituras distintas.
O senador Iván Cepeda, favorito nas pesquisas e herdeiro político de Petro, advertiu que os episódios podem “gerar um clima de medo que favorece os interesses de setores de extrema direita”.
Já o candidato Abelardo de la Espriella afirmou que os eventos “são parte de um plano de desestabilização do desgoverno de Petro”.
A senadora Paloma Valencia, do partido do ex-presidente Álvaro Uribe, foi direta: “Este governo permitiu que a violência cresça”.
O departamento de Cauca, com extensa área de cultivo de coca, é um dos territórios mais afetados pela atuação de grupos armados no país. A ofensiva continuou, com registro de um caminhão incendiado em Jamundí e a explosão de uma caminhonete carregada com explosivos em área de cultivos, sem vítimas.
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