Três mentiras de Trump que ecoam a retórica russa
Não é a primeira vez que Trump promove afirmações que ecoam a retórica russa. Veja as três mentiras centrais que Trump alimenta sobre a guerra e o que está por trás delas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem suscitado controvérsia ao atribuir à liderança ucraniana a responsabilidade pelo conflito em curso na Ucrânia.
Essa afirmação, além de provocativa, se alinha a outros discursos que evocam narrativas frequentemente utilizadas pela propaganda russa.
Em resposta a essas declarações, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, expressou sua preocupação de forma incisiva.
Ele afirmou que “infelizmente, o presidente Trump vive em uma bolha de desinformação”. Durante um evento recente, Trump fez uma declaração polêmica sugerindo que a Ucrânia seria culpada pela guerra, um exemplo claro de inversão de papéis entre agressor e vítima.
Não é a primeira vez que Trump promove afirmações que ecoam a retórica russa. A seguir, três mentiras centrais que ele alimenta sobre o conflito e o que realmente está por trás deles:
1. “Vocês nunca deveriam ter começado isso”
Em um comentário direcionado a Kiev, Trump afirmou que o conflito não deveria ter sido iniciado. Essa narrativa reflete uma adoção indiscriminada dos argumentos do Kremlin.
As declarações de Trump visam marcar uma clara distinção em relação à administração Biden e estão intrinsecamente ligadas a interesses pessoais com Putin.
Na realidade, o conflito não começou em fevereiro de 2022 nem com a anexação da Crimeia em 2014; há muito tempo antes disso, a Rússia já implementava uma guerra econômica contra a Ucrânia.
Desde 2004, quando o Kremlin condicionou o fornecimento de gás à adoção de uma política externa pró-russa, até as sanções impostas a partir de 2013, os ataques começaram muito antes do uso militar direto.
Portanto, é evidente que a agressão partiu de Moscou e a Ucrânia está defendendo sua soberania.
2. “Eles poderiam ter feito um acordo”
Logo após o início da invasão russa, surgiram tentativas de negociações bilaterais entre os dois países. Contudo, Trump criticou os ucranianos por não demonstrarem disposição suficiente para negociar um acordo.
As exigências russas incluíam a capitulação da Ucrânia e a remoção de Zelensky do poder, propostas inaceitáveis para Kiev.
O governo ucraniano recusou as exigências que comprometeriam sua segurança nacional. Informações sobre atrocidades cometidas pelas forças russas também impactaram negativamente qualquer progresso nas negociações.
Contrariamente ao que Putin insinuou, não houve acordos formalmente assinados que garantissem segurança à Ucrânia durante essas conversações. Assim sendo, Trump perpetua uma narrativa falsa promovida pelo Kremlin.
3. “Ditador sem eleições”
A propaganda russa tem disseminado ativamente a ideia da ilegítima presidência de Zelensky ao longo do último ano. Recentemente, Trump questionou publicamente a legitimidade do presidente ucraniano ao afirmar que ele deveria agir rapidamente ou perderia seu país.
As alegações sobre uma suposta falta de legitimidade de Zelensky são manipulativas e visam dividir as sociedades ocidentais. O sistema legal ucraniano proíbe eleições durante períodos de guerra ou estado de emergência.
Assim sendo, cabe à Ucrânia decidir o momento adequado para realizar eleições presidenciais. Além disso, circunstâncias excepcionais tornam inviável a condução de eleições livres e justas durante conflitos armados.
É crucial reiterar verdades simples: A Ucrânia é um estado soberano com uma constituição e está em defesa contra um agressor. As decisões relacionadas às eleições pertencem unicamente ao povo ucraniano e seu governo legítimo.
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Comentários (2)
Carlos Renato Cardoso Da Costa
19.02.2025 15:25Pobre Ucrânia. Depois de tantos sacrifícios será atirada aos lobos.
Clayton De Souza pontes
19.02.2025 15:21Realmente o Trump está com narrativa enviesada pro Putin. Qual o motivo pra ele seguir nessa linha? Tá pior que o Lula