As “Portas do Inferno”: a cratera de gás no Turcomenistão que arde sem parar há mais de 50 anos
A chamada “Porta do Inferno”, no Turcomenistão, é uma cratera em chamas no deserto de Karakum
A chamada “Porta do Inferno”, no Turcomenistão, é uma cratera em chamas no deserto de Karakum, onde o gás natural que escapa do subsolo alimenta labaredas contínuas há décadas.
O local combina acidente industrial, curiosidade científica e forte apelo turístico, em uma região praticamente desabitada.
O que é a Cratera de Gás de Darvaza?
A Cratera de Gás de Darvaza é um colapso no solo com cerca de 70 metros de diâmetro e 30 de profundidade, onde o metano que emerge do subsolo queima continuamente. As fissuras no chão e nas paredes liberam o gás, que arde dia e noite, criando um grande “buraco de fogo”.
O fenômeno não é vulcânico, mas ligado à exploração de hidrocarbonetos na era soviética. Perfurações entre as décadas de 1960 e 1970 teriam desestabilizado o terreno, provocando o colapso e, posteriormente, a ignição do gás, possivelmente como medida de segurança.
A PORTA DO INFERNO!!
— Sacani (Space Today) – AKA Gordão Foguetes (@SpaceToday1) March 5, 2026
Em 1971, geólogos soviéticos que trabalhavam no Turcomenistão atearam fogo a uma cratera para impedir a propagação do gás metano, esperando que ela queimasse por alguns dias.
O buraco está em chamas há mais de 52 anos e é conhecido como a Porta do Inferno. pic.twitter.com/wkFgjfyZlh
Como surgiu a chamada Porta do Inferno?
O nome “Porta do Inferno” vem do impacto visual do fogo intenso saindo de dentro da terra, especialmente à noite, quando o brilho contrasta com a escuridão do deserto. A ausência de centros urbanos próximos reforça a sensação de isolamento e de cenário quase sobrenatural.
Não há consenso sobre a data exata nem sobre quem ateou fogo ao gás, em parte pela dificuldade de acesso a documentos soviéticos.
Relatos indicam que as chamas já foram mais fortes e que hoje apenas parte da superfície interna queima, sugerindo redução da reserva de gás logo abaixo da cratera.
Por que a Porta do Inferno atrai tantos visitantes?
Mesmo em área remota, Darvaza tornou-se o ponto turístico mais famoso do Turcomenistão, presente em roteiros pelo deserto de Karakum. Acampamentos com yurts e tendas oferecem pernoite simples, refeições e transporte em veículos 4×4 até a borda da cratera.
Os principais fatores que explicam esse fascínio podem ser resumidos em alguns aspectos centrais:
Chamas intensas que contrastam com o deserto escuro e silencioso.
Sensação de estar em um local remoto, longe de cidades e iluminação artificial.
Curiosidade sobre o fenômeno do gás natural em queima constante.
Ligação direta com a exploração humana de recursos naturais.
Como chegar e o que encontrar na região?
A cratera fica a algumas horas de carro de Ashgabat, por estrada asfaltada seguida de trechos de areia e terra, o que torna recomendável o uso de veículos com tração nas quatro rodas. Ao longo do trajeto, avistam-se camelos soltos e pequenas localidades com serviços básicos.
Os acampamentos próximos oferecem yurts ou tendas com camas simples, áreas de refeição e banheiros externos. A infraestrutura é limitada, por isso é essencial planejar com antecedência água, combustível, roupas adequadas ao frio noturno e cuidados de segurança ao se aproximar da borda.

A Porta do Inferno pode um dia se apagar?
O governo do Turcomenistão já manifestou interesse em apagar a cratera, alegando perda de recurso natural, emissão contínua de metano e possíveis riscos à saúde e ao ambiente.
Estudam-se hipóteses como preenchimento com cimento ou espuma e redirecionamento do gás para aproveitamento energético.
Não há prazo ou método oficial definidos, e especialistas apontam incertezas sobre o comportamento do gás caso a cratera seja selada. Enquanto isso, a chama tende a enfraquecer gradualmente, seja por esgotamento natural do reservatório, seja por futura intervenção humana.
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