As misteriosas pedras deslizantes do Vale da Morte finalmente tiveram seu segredo revelado quando imagens mostraram blocos de rocha sendo empurrados por gelo e vento
Em um dos cenários mais áridos dos Estados Unidos, um conjunto de pedras deixa extensas marcas no solo rachado de um antigo lago seco
Em um dos cenários mais áridos dos Estados Unidos, um conjunto de pedras deixa extensas marcas no solo rachado de um antigo lago seco.
As “pedras deslizantes” de Racetrack Playa, no Parque Nacional do Vale da Morte, intrigaram cientistas por décadas, até que observações diretas e medições precisas começaram a revelar o mecanismo por trás desse fenômeno raro.
O que são as pedras deslizantes de Racetrack Playa?
As chamadas pedras deslizantes ou “sailing stones” são rochas de dolomita e granito que se movem lentamente sobre a superfície plana de Racetrack Playa. Elas deixam trilhas nítidas no barro seco, às vezes com dezenas ou centenas de metros, em linhas retas, curvas ou cruzadas.
Algumas pedras têm o tamanho de um punho, outras exigiriam várias pessoas para serem erguidas. Elas podem ficar paradas por anos e, de uma temporada de inverno para outra, surgem novas trilhas, como se tivessem “caminhado” silenciosamente pelo deserto.
Racetrack Playa where rocks seem to move on their own. pic.twitter.com/pnGsVV6YER
— Atomic DudeXX (@Cueskipping) June 22, 2026
Como as pedras deslizantes se movem no Vale da Morte?
Pesquisas mostram que as pedras deslizantes do Vale da Morte se movem graças à combinação de água rasa, gelo fino, lama saturada e ventos moderados.
Após tempestades de inverno, forma-se uma lâmina de água de poucos centímetros sobre a playa, que congela à noite em uma película delgada.
Com o sol da manhã, o gelo se fragmenta em placas flutuantes que, empurradas por ventos de cerca de quatro a cinco metros por segundo, funcionam como “empurradores” naturais. As placas encostam nas pedras e as fazem deslizar sobre o barro encharcado, a poucos metros por minuto, sem que rolem.
Por que o fenômeno das pedras deslizantes é tão raro?
O movimento das pedras deslizantes de Racetrack Playa é incomum porque exige condições muito específicas atuando ao mesmo tempo. Não basta haver vento e noites frias: é preciso a quantidade certa de água, o congelamento adequado e o derretimento gradual ao amanhecer.
Em muitos invernos, não se forma lâmina de água extensa o suficiente, ou o gelo não atinge a espessura ideal para gerar grandes placas. Assim, vários anos podem passar sem qualquer deslocamento, e quando um evento ocorre, diversas pedras costumam se mover de forma paralela no mesmo episódio.
La zona donde se produce tal fenómeno es un antiguo lago llamado Racetrack Playa, en el noroeste del Parque Nacional del Valle de la Muerte (California) y próximo al desierto de Mojave.
— Mar Gómez (@MarGomezH) January 31, 2024
(📸USGS) pic.twitter.com/pHttr0QHlr
Quais técnicas ajudaram a explicar as pedras que se movem?
Para entender o mecanismo das pedras que se movem no deserto, pesquisadores combinaram métodos clássicos de campo com tecnologias recentes. Essas abordagens permitiram registrar movimentos sutis, muitas vezes de poucos centímetros, em períodos curtos.
Entre as principais técnicas utilizadas, destacam-se:
Levantamentos topográficos para registrar posições relativas das pedras ao longo dos anos.
Fotografia repetida e câmeras de time-lapse instaladas em pontos elevados.
Mapeamento por GPS e pedras equipadas com registradores de posição ativados por ímãs.
Estações meteorológicas para relacionar cada movimento a vento, temperatura e chuva.
O que as pedras deslizantes revelam sobre ambientes extremos?
O estudo das pedras deslizantes do Vale da Morte mostra como processos discretos e de baixa energia podem gerar marcas impressionantes na paisagem. Em vez de forças violentas, o que atua é a soma de gelo fino, água rasa e brisas constantes, em janelas de tempo curtas.
O fenômeno ressalta a importância do monitoramento de longo prazo em ambientes aparentemente estáveis. Mesmo em um lago seco imóvel à primeira vista, raros invernos úmidos bastam para deslocar silenciosamente rochas pesadas por dezenas de metros e deixar registros duradouros no solo.
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