As “cidades-esponja” que estão sendo construídas na Ásia para engolir enchentes catastróficas em minutos
O debate sobre o que fazer com a água da chuva ganhou força diante das enchentes recorrentes e dos eventos climáticos extremos
O debate sobre o que fazer com a água da chuva ganhou força diante das enchentes recorrentes e dos eventos climáticos extremos.
Em vez de afastar rapidamente a água, o conceito de cidade-esponja propõe acolhê-la, armazená-la e devolvê-la gradualmente ao ambiente, reduzindo prejuízos e riscos à população.
O que é cidade-esponja e por que esse conceito é importante
A expressão cidade-esponja, criada pelo arquiteto paisagista chinês Yu Kongjian, descreve um modelo de urbanização que integra natureza, infraestrutura e ocupação do solo. Em vez de confiar apenas em concreto, canais e galerias, busca-se recuperar o ciclo natural da água.
O objetivo central é aumentar a permeabilidade do solo, devolver espaço a rios, lagos e várzeas e adaptar a cidade à crise climática. Assim, reduz-se o impacto de chuvas intensas e melhora-se a qualidade ambiental urbana.
From a neighborhood built entirely of wood to a floating, flood-proof city, project leaders are reimagining how people live, work, and play in cities. Check out our #MIP2022 list of the top 10 projects in #UrbanDevelopment: https://t.co/xz90pF9veF #UrbanPlanning #pmot pic.twitter.com/5B9GWAbNbh
— PMI (@PMInstitute) March 29, 2023
Como funciona uma cidade-esponja na prática
Na prática, a cidade-esponja combina intervenções em diferentes escalas, de grandes parques a soluções em calçadas, ruas e telhados. Parte da água infiltra no solo ou é armazenada em reservatórios naturais e artificiais, retornando lentamente a rios e lençóis freáticos.
Essas soluções baseadas na natureza diminuem a sobrecarga da drenagem tradicional, reduzem enchentes e podem ser adaptadas a áreas costeiras ou densamente construídas. Elas também ajudam a enfrentar ondas de calor e períodos de seca.
Quais estratégias principais compõem uma cidade-esponja
As estratégias de cidade-esponja organizam a água de forma mais inteligente, aproximando infraestrutura e ecossistemas. Elas combinam obras de engenharia com paisagismo e proteção ambiental, sempre priorizando infiltração, retenção e evaporação.
Entre as soluções mais usadas e replicáveis em diferentes contextos urbanos, destacam-se:
- Áreas verdes alagáveis: parques e praças que recebem temporariamente o excesso de água.
- Jardins de chuva: canteiros rebaixados que captam, filtram e infiltram a água das ruas.
- Pisos drenantes: pavimentos que permitem infiltração e reduzem o escoamento superficial.
- Telhados verdes: coberturas vegetadas que retêm chuva e diminuem a temperatura local.
- Recuperação de margens e manguezais: proteção de ecossistemas que amortecem cheias.
Confira a entrevista do professor Yu Kongjian sobre as cidades-esponja:
Como o conceito de cidade-esponja pode ajudar cidades brasileiras
No Brasil, o modelo responde a problemas históricos de ocupação desordenada, canalização de rios e supressão de áreas úmidas. Capitais como São Paulo, Recife, Belo Horizonte, Curitiba e Fortaleza discutem parques lineares, restauração de manguezais e incentivos a áreas verdes privadas.
Essas estratégias reduzem gastos com reparos, indenizações e perdas econômicas após enchentes, além de diminuir ilhas de calor e melhorar o ar. Também criam espaços de convivência e lazer, tornando a cidade mais saudável, segura e resiliente.
Quais desafios existem para implantar cidades-esponja no futuro urbano
A adoção ampla desse modelo enfrenta obstáculos técnicos, financeiros e institucionais, sobretudo em áreas densamente consolidadas. Muitas vezes é inviável abrir grandes parques ou reabrir rios canalizados, exigindo intervenções menores e distribuídas.
Superar esses desafios requer planejamento de longo prazo, revisão de normas urbanísticas e integração entre meio ambiente, saneamento, transporte, habitação e defesa civil. Também é essencial que a população compreenda o papel de várzeas, lagoas e margens de rios na redução de alagamentos.
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