Artista chinês é condenado por criticar Mao
Gao Zhen, ligado à dupla Gao Brothers, foi sentenciado pela Justiça chinesa por obras que retratam o antigo líder comunista
Umtribunal popular da cidade de Sanhe, na província de Hebei, no norte da China, condenou o artista Gao Zhen a três anos de prisão pelo crime de ofender a memória de heróis nacionais.
Radicado nos Estados Unidos, Gao está sob custódia desde agosto de 2024, quando foi detido durante viagem para visitar familiares no país. Suas obras satirizam Mao Zedong, fundador da República Popular da China.
A informação foi confirmada por sua esposa, Zhao Yaliang, à agência Associated Press.
Obras questionadas datam de antes da lei
Entre as peças citadas no processo está a escultura “A Culpa de Mao”, de 2009, que apresenta o ex-dirigente ajoelhado em postura de arrependimento. Também integra a lista a série “Miss Mao”, em que o rosto do líder aparece caracterizado com seios e nariz exagerado.
Segundo Shane Yi, pesquisador da organização Chinese Human Rights Defenders, que acompanha o caso, as obras foram produzidas antes da entrada em vigor da legislação usada para embasar a condenação, aprovada em 2018, e que proíbe críticas a figuras revolucionárias do país.
Yi classificou o julgamento como “um caso muito claro de violação da liberdade de expressão de uma pessoa” e afirmou que o artista vai recorrer da decisão.
Entidade internacional cobra revisão
A Anistia Internacional se manifestou contra a sentença. Sarah Brooks, diretora da organização para a China, disse que a prisão prolongada antes do julgamento e a aplicação da pena máxima prevista para o delito demonstram esforço das autoridades para coibir manifestações artísticas independentes. “Nenhum artista deve enfrentar punições criminais por criar trabalhos que desafiem as narrativas oficiais ou incentivem a reflexão crítica sobre a história”, declarou.
Com o tempo de detenção incluído no cumprimento da pena, Gao deve permanecer preso até 25 de agosto de 2027.
A esposa relatou ter preparado roupas para o marido na expectativa de libertação antecipada, prática comum em tribunais chineses, e afirmou frustração com o desfecho: “Senti que dois anos [de detenção de Gao] eram o meu limite e fiquei muito desiludida e triste”.
O tribunal responsável pelo caso não respondeu a pedido de comentário da AP.
OsGao Brothers, dupla formada por Gao Zhen, ganharam projeção internacional por obras que tratam de autoritarismo e censura, exibidas tanto na China quanto no exterior antes do recrudescimento de restrições à expressão pública no país.
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