Arte rupestre de 67.800 anos, a mais antiga do mundo, é descoberta na Indonésia
A arte rupestre de Sulawesi é formada por estênceis de mãos, figuras humanas, animais e motivos geométricos em cavernas calcárias.
A descoberta de pinturas rupestres com pelo menos 67.800 anos em Sulawesi, na Indonésia, reacendeu o debate sobre a origem e a dispersão das primeiras expressões de arte de Homo sapiens.
O achado está relacionando diretamente a registros de rotas de migração rumo à Oceania e ao comportamento simbólico de grupos que cruzavam mares e ilhas há mais de 60 mil anos.
O que caracteriza a arte rupestre em Sulawesi
A arte rupestre em Sulawesi, formada por estênceis de mãos, figuras humanas, animais e motivos geométricos em cavernas calcárias.
A antiguidade é estimada indiretamente pela calcita que se deposita sobre as pinturas, datada por séries de urânio em modo de ablação a laser.
No sudeste de Sulawesi, especialmente na ilha de Muna, estênceis de mãos cobertos por espeleotemas antigos indicam idade mínima de cerca de 67,8 mil anos.
A presença de dedos propositalmente estreitados sugere intenção estilística e um repertório simbólico elaborado, compatível com comportamento moderno.
Por que a arte rupestre em Sulawesi é importante para a arqueologia
A arte rupestre de Sulawesi funciona como marcador da presença de humanos modernos em Wallacea, zona de transição entre a Ásia (Sunda) e a antiga massa de terras de Austrália e Nova Guiné (Sahul).
Pinturas tão antigas nessa região indicam que grupos de Homo sapiens já atravessavam ilhas como Bornéu e Sulawesi rumo à Oceania.
Pesquisas recentes combinam essas datas com modelos de paleogeografia e simulações de dispersão, destacando dois grandes corredores migratórios pelo arquipélago.
- Rota norte: partindo de Bornéu, passando por Sulawesi e seguindo em direção à Papua.
- Rota sul: saindo de Java, cruzando ilhas de Sunda Menor até o noroeste da Austrália.
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Rock art from at least 67,800 years ago in Sulawesihttps://t.co/TYksuZc59U pic.twitter.com/5Ecl8VyjIK
— A.Benítez-Burraco (@abenitezburraco) January 21, 2026
Como Sulawesi se relaciona às rotas de migração humana
A cronologia de Sulawesi se aproxima, e em alguns casos antecede, as idades de ocupação do norte da Austrália, sugerindo contemporaneidade ou precedência dos grupos que pintavam cavernas em Wallacea.
Isso reforça a hipótese de travessias marítimas planejadas ao longo do eixo Sunda–Sahul.
Geograficamente, os principais sítios com arte pleistocênica em ilhas do sudeste asiático alinham-se à rota norte, em consonância com modelos de custo mínimo de deslocamento.
Painéis com múltiplas fases de pintura indicam revisitas às cavernas e continuidade de tradições gráficas por milhares de anos.
O que os estênceis de mãos revelam sobre os primeiros humanos modernos
Os estênceis de mãos em Sulawesi e Bornéu são vistos como fortes marcas de presença social e simbólica. Em Sulawesi, alguns exibem dedos alongados ou afunilados, produzidos por movimento intencional da mão ou reforço de pigmento em áreas específicas.
Essas variações, repetidas em mais de um sítio, não parecem aleatórias e, combinadas com datas muito antigas, reforçam a atribuição a Homo sapiens.
Planejamento, repetição de motivos e provável uso social dos painéis indicam organização simbólica complexa, comparável à observada na África e na Eurásia.
Quais são os principais desafios atuais no estudo da arte rupestre em Sulawesi
Apesar dos avanços em datação por séries de urânio, muitas áreas entre a Ásia continental e a Austrália ainda são pouco exploradas.
Em Sulawesi, o mapeamento de novos sistemas cársticos e a ampliação das amostragens são fundamentais para refinar cronologias e fases de pintura.
Outros desafios envolvem integrar a arte rupestre a sítios a céu aberto, concheiros e abrigos sob rocha, além de desenvolver estratégias eficazes de conservação.
À medida que novas cavernas são estudadas, espera-se identificar mais evidências de arte muito antiga ao longo da rota norte entre Sunda e Sahul.
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