Arqueólogos resgatam blocos de até 80 toneladas ligados a uma das Sete Maravilhas após 1.600 anos
A retirada de 22 peças do fundo do Mediterrâneo abriu uma nova etapa para reconstruir uma obra que desapareceu há séculos.
Os blocos de até 80 toneladas voltaram à superfície durante uma operação no litoral de Alexandria, no Egito. As peças pertenciam ao antigo Farol de Alexandria e agora serão estudadas para ajudar na reconstrução digital de uma das construções mais famosas da Antiguidade.
Qual monumento está ligado aos blocos retirados do mar?
As peças faziam parte do Farol de Alexandria, erguido no século III a.C. na ilha de Faros para orientar os navios que se aproximavam do porto. Com mais de 100 metros de altura, a torre tornou-se uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
O monumento foi construído durante o período dos primeiros governantes da dinastia ptolemaica. Além de funcionar como referência para a navegação, sua escala transformou o farol em símbolo da riqueza e da importância comercial de Alexandria no Mediterrâneo.

O que os arqueólogos recuperaram durante a operação?
A campanha realizada em 2025 retirou 22 grandes elementos arquitetônicos que estavam no fundo do mar. Entre eles aparecem partes de uma entrada monumental, como vergas, batentes e blocos de soleira, além de peças que ajudam a compreender diferentes áreas do edifício.
Alguns componentes associados à entrada pesam entre 70 e 80 toneladas. Depois de içados, eles passam por limpeza, documentação, fotografia e escaneamento, permitindo que marcas de encaixe, proporções e detalhes da construção sejam analisados com mais precisão.
Como foi possível movimentar pedras tão grandes?
O trabalho exige mergulhadores, arqueólogos, engenheiros e equipamentos de elevação preparados para operar em ambiente marinho. Antes da retirada, cada bloco é examinado, registrado e preso de maneira que o peso seja distribuído sem provocar novas fraturas.
A operação faz parte do Projeto Pharos, conduzido por uma equipe multidisciplinar sob direção científica de Isabelle Hairy. O levantamento combina escavação subaquática, fotogrametria e modelagem tridimensional para reunir peças que permaneceram espalhadas no sítio arqueológico.
Por que o Farol de Alexandria acabou no fundo do mar?
O farol resistiu por muitos séculos, mas sofreu danos provocados por uma sequência de terremotos. Registros históricos indicam abalos importantes entre os séculos X e XIV, até que grande parte da estrutura desabou e seus blocos se espalharam junto à costa.
Por isso, a referência a 1.600 anos não representa o tempo exato em que as peças ficaram submersas. O monumento permaneceu de pé por cerca de 16 a 17 séculos, enquanto sua destruição definitiva ocorreu na Idade Média, há aproximadamente 700 anos.
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O que a reconstrução digital pode revelar?
Os novos blocos serão digitalizados e comparados com milhares de peças já registradas no sítio. A equipe do Projeto Pharos pretende testar posições, encaixes e proporções em um modelo virtual, sem precisar movimentar repetidamente os elementos originais.
A reconstrução não pretende apenas criar uma imagem bonita do farol. Ela pode mostrar como os construtores ergueram uma torre tão alta, como funcionavam suas entradas e de que maneira a arquitetura grega se misturou a elementos egípcios em uma das obras mais ambiciosas do mundo antigo.
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