Arqueólogos recuperam blocos de 80 toneladas após mais de 1.600 anos ligados a uma das Sete Maravilhas do mundo antigo
A operação recuperou 22 peças gigantes e abre caminho para uma reconstrução digital, mas a cronologia da ruína exige uma ressalva.
Vinte e dois blocos monumentais, alguns entre 70 e 80 toneladas, voltaram à superfície durante uma campanha arqueológica no Mediterrâneo. As peças pertencem ao Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, e agora ajudam pesquisadores a reconstruir digitalmente sua arquitetura.
O que exatamente os arqueólogos retiraram do fundo do mar?
A operação recuperou elementos arquitetônicos de grande porte, incluindo vergas e jambas da entrada monumental, a soleira e grandes lajes da base. As peças estavam entre os maiores fragmentos conhecidos do sítio submerso de Alexandria.
Também surgiram partes de um monumento até então desconhecido pelos pesquisadores: um pílone com porta de estilo egípcio e técnica helenística. Esse conjunto amplia as pistas sobre a aparência e a organização original do farol.

Por que esses blocos de até 80 toneladas são tão importantes?
O tamanho permite estudar detalhes estruturais impossíveis de compreender apenas com fragmentos menores. Medidas, encaixes, marcas de construção e relação entre diferentes peças ajudam a testar hipóteses sobre como os antigos construtores ergueram uma estrutura monumental junto ao porto.
A Fundação Dassault Systèmes informa que 22 grandes blocos foram içados para estudo e digitalização dentro do programa PHAROS, sob supervisão científica da arqueóloga e arquiteta Isabelle Hairy, do CNRS.
As peças recuperadas concentram quatro informações importantes:
Os blocos ficaram realmente mais de 1.600 anos debaixo d’água?
Não. A referência aos mais de 1.600 anos está ligada sobretudo à longa história do farol, que funcionou por quase 16 séculos. O Centre d’Études Alexandrines registra que sua luz se apagou em 1303, depois de danos severos provocados por um tsunami.
Depois disso, a estrutura não foi restaurada, serviu como fonte de pedras e sofreu novas perdas até desaparecer. Parte da alvenaria deslocada acabou no Mediterrâneo, onde as escavações subaquáticas sistemáticas começaram na década de 1990.
Como a tecnologia 3D ajuda a reconstruir o Farol de Alexandria?
Os pesquisadores usam fotogrametria e escaneamento para criar cópias digitais precisas dos fragmentos. Esses modelos permitem comparar medidas e testar posições possíveis sem movimentar repetidamente peças que pesam dezenas de toneladas.
O projeto PHAROS reúne arqueólogos, historiadores, arquitetos, numismatas e engenheiros para combinar vestígios físicos com descrições e imagens antigas. A meta é produzir um modelo científico tridimensional da estrutura externa e dos espaços internos.
Três etapas mostram como os dados físicos entram na reconstrução:
Por que o Farol de Alexandria foi uma das Sete Maravilhas?
Construído no início do século III a.C., o farol orientava navegadores que se aproximavam de Alexandria e se tornou símbolo da importância marítima da cidade. Fontes do projeto PHAROS trabalham com uma estrutura de aproximadamente 100 metros de altura.
O monumento ficou tão associado à navegação que seu nome, ligado à ilha de Faros, atravessou idiomas. Um panorama histórico do Farol de Alexandria ajuda a situá-lo entre as obras monumentais mais conhecidas da Antiguidade.
O que a recuperação muda no estudo dessa maravilha antiga?
Trazer os maiores elementos à superfície permite documentá-los com mais precisão e confrontar hipóteses antigas com novas medidas. A descoberta do pílone também mostra que o sítio ainda guarda informações capazes de alterar interpretações sobre a arquitetura do conjunto.
O objetivo não é reconstruir fisicamente o farol peça por peça. O ganho principal está em transformar pedras dispersas em evidências comparáveis, criando uma representação digital mais consistente de uma construção desaparecida há séculos e preservando novos dados para pesquisas futuras.
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