Arqueólogos encontram cidade romana submersa no Mediterrâneo
Em uma faixa rasa do Mar Tirreno, próxima à praia de Campo di Mare, no Lácio, pesquisadores identificaram restos de uma antiga cidade
Em uma faixa rasa do Mar Tirreno, próxima à praia de Campo di Mare, no Lácio, pesquisadores identificaram restos de uma antiga cidade do Império Romano submersa, preservada sob sedimentos marinhos.
A descoberta revelou um núcleo urbano costeiro monumental que amplia o conhecimento sobre o patrimônio arqueológico submerso da Itália e sobre a ocupação romana no litoral mediterrâneo.
Antiga cidade do Império Romano é identificada em Campo di Mare
Os arqueólogos localizaram um núcleo urbano romano submerso a poucos quilômetros de Roma, em Campo di Mare, no Lácio.
A área exibe estruturas monumentais costeiras que hoje se encontram sob a água, visíveis inclusive do ar em certas condições.
O elemento mais marcante é uma grande estrutura circular de cerca de 50 metros de diâmetro, situada a poucos metros da atual linha de praia.
A descoberta amplia o interesse científico sobre a região, antes conhecida apenas por vestígios em terra firme.

Quais evidências apontam para uma villa marítima aristocrática?
O ponto de partida das pesquisas foi o achado de uma coluna de mármore cipolino com capitel jônico, parcialmente enterrada na areia do fundo do mar.
A qualidade da peça indicou tratar-se de uma grande edificação romana ligada a atividades portuárias e de lazer.
Com base nas técnicas construtivas e nos materiais de alto padrão, especialistas sugerem que o local abrigou uma villa marítima de um aristocrata, associada a um pavilhão portuário.
Esse tipo de complexo era típico das elites do período imperial para descanso, representação política e controle de rotas marítimas.
Como era a construção romana submersa próxima a Roma
Os levantamentos subaquáticos revelam que a estrutura circular foi construída com dupla cinta de paredes de tijolos, com cerca de três metros de espessura, assentadas sobre base de barro.
Essa solução permitiu preservar elementos de madeira da fundação em ambiente anaeróbico.
O piso conserva trechos de cocciopesto, argamassa impermeável típica da engenharia romana, além de evidências da “obra cravada”, com estacas de madeira para suporte e nivelamento.
No centro, poucos fragmentos de alvenaria permanecem, desgastados pela ação constante das ondas.
Quais técnicas são usadas na preservação da antiga cidade submersa
Diante da relevância do sítio, foi iniciado um programa de restauração subaquática em águas rasas, porém sujeitas a fortes ondulações, com foco em mapeamento, documentação e estabilização das estruturas.
As ações também visam reduzir impactos de navegação e turismo na área arqueológica.

Para organizar esse trabalho de forma segura e eficaz, os especialistas seguem etapas técnicas padronizadas na arqueologia subaquática:
- Levantamento preliminar com registro fotográfico e mapeamento tridimensional da área;
- Limpeza controlada para remover sedimentos sem comprometer paredes e pisos preservados;
- Documentação técnica detalhada de materiais, técnicas construtivas e estado de conservação;
- Retirada de madeira para tratamento e estabilização em laboratório especializado;
- Ações de proteção com zona de exclusão marítima e restrição ao tráfego de embarcações.
O que a cidade romana submersa revela sobre o Mediterrâneo antigo
A identificação desse sítio submerso ajuda a entender como o litoral do Lácio mudou ao longo dos séculos, por erosão, subsidência do solo e variações do nível do mar.
Estruturas antes em terra firme foram gradualmente engolidas pelo mar, como ocorreu em vários portos romanos.
O sítio funciona como um laboratório ao ar livre para estudar técnicas construtivas costeiras, padrões de ocupação aristocrática e rotas marítimas romanas.
Futuras pesquisas devem esclarecer datas de construção, usos sucessivos e causas do afundamento, enriquecendo o quadro da vida costeira durante o auge e a transformação do Império Romano.
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