“Argentina verá uma melhora” com a guerra no Irã, diz Milei
Presidente vê no conflito regional uma oportunidade para acumular reservas cambiais e cumprir metas com o FMI
O presidente da Argentina, Javier Milei, avaliou nesta segunda-feira, 9, que a guerra no Oriente Médio deve gerar efeitos positivos sobre as exportações do país. Com o preço do petróleo acima de US$ 100 o barril pela primeira vez desde 2022, e a cotação dos grãos em alta nas bolsas internacionais, o presidente disse esperar uma melhora nos termos de troca comercial da Argentina.
“Nesse contexto, a Argentina verá uma melhora em seus termos de transação comercial, pois os preços do petróleo estão subindo, e a Argentina é uma exportadora líquida”, afirmou Milei em entrevista à rádio FM NOW. O presidente participava, em Nova York, da Semana Argentina, evento voltado à captação de investimentos estrangeiros.
Vaca Muerta e soja no centro do cálculo
A Argentina passou a exportar mais petróleo do que importa nos últimos anos, movimento sustentado pelo desenvolvimento das jazidas de Vaca Muerta, na província de Neuquén. O campo é considerado a quarta maior reserva mundial de petróleo de xisto e a segunda de gás não convencional. Petróleo e gás respondem por 13,5% das exportações argentinas – o segundo setor mais relevante da pauta.
O agronegócio, porém, segue na liderança, com mais de 60% do total exportado. A soja representa 24,6% de todas as vendas externas do país, e o trigo, 4,2%. Na semana anterior à declaração de Milei, o mercado de grãos de Chicago registrou altas: o trigo atingiu seu maior patamar em um ano, e a soja, o maior nível desde junho de 2024, segundo o Ministério da Economia argentino.
Milei apontou que os grãos também se beneficiam da tensão geopolítica. “Todos os grãos que a Argentina exporta, soja, milho e girassol, também estão com preços em alta”, disse o presidente.
Reservas cambiais e o acordo com o FMI
Por trás da avaliação econômica está uma meta concreta: ampliar as reservas internacionais do país. Em abril de 2025, a Argentina assinou um acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional, que incluiu entre seus compromissos o fortalecimento das reservas cambiais, historicamente um ponto de vulnerabilidade da economia argentina.
Milei sinalizou que o momento é oportuno para avançar nessa direção. O presidente também participou, no sábado anterior à entrevista, da cúpula Escudo das Américas, encontro de segurança promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a presença de cerca de uma dúzia de líderes latino-americanos e caribenhos alinhados à sua agenda.
O chefe de Estado argentino declarou apoio à ofensiva iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, países que Milei trata como aliados. A posição é coerente com a orientação de política externa adotada desde o início de seu governo, marcada pelo alinhamento com Washington e Tel Aviv.
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Comentários (1)
Marian
09.03.2026 19:02Parabéns hermanos! País progredindo e com segurança para seus cidadãos.