Arábia Saudita ataca houthis no Iêmen
Coalizão retoma ofensiva depois que rebeldes atacaram petroleiros e ameaçaram bloqueio no mar Vermelho
Forças aéreas da coalizão comandada pela Arábia Saudita atacaram nesta sexta-feira, 24, alvos militares dos houthis na cidade portuária de Hodeidah, no Iêmen, e na ilha de Kamaran, no litoral oeste do país. A ofensiva responde a ataques dos rebeldes contra embarcações sauditas no mar Vermelho e ocorre em meio ao agravamento do confronto entre Estados Unidos e Irã, principal patrocinador dos houthis.
Os bombardeios marcam o retorno de Riad a um conflito que havia sido em grande parte suspenso por um acordo de cessar-fogo firmado com os houthis em 2022. Esse pacto havia interrompido os combates mais intensos de uma guerra civil que, segundo a reportagem, já matou centenas de milhares de pessoas por violência, fome e doenças.
A Arábia Saudita apoia o governo iemenita deposto pelos houthis em parcela do território do país. Nos últimos dias, os rebeldes atingiram um aeroporto saudita e declararam um bloqueio naval contra o reino, executado por meio de ataques a petroleiros — movimento apontado como o estopim direto da retomada dos bombardeios sauditas.
Guerra regional se aprofunda
O episódio se insere em um cenário mais amplo de tensão entre Washington e Teerã, que inclui a reimposição de bloqueio no estreito de Hormuz e novos ataques a navios no golfo Pérsico. Os houthis mantêm alinhamento com o Irã, que lhes fornece armamento, e, em contrapartida, somaram-se ao Hamas em ataques contra Israel desde outubro de 2023, com foco na região do estreito de Bab el-Mandeb.
A escalada ocorre também sob pressão diplomática sobre Riad. Segundo a reportagem, aliados regionais dos sauditas, como os Emirados Árabes Unidos, adotaram postura mais firme contra Teerã, enquanto a monarquia saudita evitou confrontos diretos com o país persa.
Paralelamente, os Estados Unidos anunciaram nesta semana um acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita. O presidente americano, Donald Trump, declarou que o pacto não permitirá enriquecimento de urânio em território saudita e vinculou sua efetivação à adesão do reino aos Acordos de Abraão, que normalizaram relações entre Israel e países árabes como Marrocos, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.
As negociações para inclusão saudita nesses acordos avançavam antes de outubro de 2023, mas perderam ritmo após a ofensiva israelense em Gaza. Riad condiciona sua adesão à criação de um Estado palestino, cenário hoje mais distante.
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