Após quase 50 anos de silêncio, animal volta aos pântanos com 25 exemplares e renova a esperança dos cientistas
A reintrodução combina animais criados em cativeiro, imunização e ambientes preparados para reduzir o avanço de uma doença devastadora.
A rã-sino-verde-e-dourada voltou aos pântanos de Canberra após quase cinco décadas sem uma população local. O primeiro grupo reuniu 25 animais criados em cativeiro e preparados para enfrentar o fungo que ajudou a apagar a espécie da paisagem regional.
Qual animal voltou aos pântanos depois de quase 50 anos?
A espécie é a rã-sino-verde-e-dourada, conhecida cientificamente como Ranoidea aurea. Nativa do sudeste da Austrália, ela apresenta manchas verdes, douradas ou bronzeadas e costuma viver perto de lagoas, brejos e canais com vegetação.
Populações da espécie já ocupavam o Território da Capital Australiana, mas desapareceram dos registros locais durante a segunda metade do século XX. O declínio coincidiu com a propagação do fungo quitrídio, além de perda de habitat, poluição e predadores introduzidos.

Como os primeiros 25 animais foram preparados?
O primeiro grupo foi libertado em fevereiro de 2026 nos pântanos de Mawson, em Canberra. As rãs nasceram em cativeiro dentro de um programa coordenado por pesquisadores da Universidade de Canberra e por instituições parceiras de conservação.
Antes da soltura, os animais passaram por um procedimento semelhante a uma imunização para elevar a resistência ao quitrídio. Isso não os torna totalmente protegidos, mas pode ajudar o sistema imunológico a reconhecer o patógeno e reagir com mais eficiência.
O plano inicial foi dividido em etapas:
Por que o fungo causou o desaparecimento local?
O quitrídio infecta a pele dos anfíbios, estrutura fundamental para a troca de água e sais com o ambiente. Em casos graves, a doença compromete funções vitais e pode provocar a morte mesmo quando o pântano ainda parece adequado.
A rã-sino-verde-e-dourada sofreu quedas intensas em partes da Austrália depois da disseminação do patógeno. Como populações pequenas ficam mais vulneráveis a secas, predadores e eventos extremos, o desaparecimento local pode ocorrer rapidamente quando diferentes pressões se acumulam.
Como saunas e pequenos “spas” podem proteger as rãs?
Os locais de soltura receberam abrigos feitos com tijolos escuros cobertos por estruturas transparentes. O interior aquece acima da faixa preferida pelo fungo, permitindo que as rãs usem esses espaços como pequenas saunas quando precisam reduzir a infecção.
Também foram construídas áreas com água levemente salgada, chamadas de “spas” pelos pesquisadores. A salinidade dificulta a transmissão do quitrídio sem impedir o uso do ambiente pelos animais, criando uma segunda barreira de proteção nos pântanos.
O projeto combina diferentes medidas:
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O que mostrará se a reintrodução realmente funcionou?
Os cientistas acompanharão sobrevivência, deslocamentos, infecções e reprodução. O sinal mais importante será o nascimento de novas gerações capazes de permanecer nos pântanos sem depender de imunização individual, usando os abrigos e a água salina para enfrentar o fungo.
A Universidade de Canberra descreve a experiência como um teste pioneiro contra uma ameaça mundial. O projeto também mostra por que a conservação dos anfíbios depende de proteger o habitat e controlar doenças ao mesmo tempo.
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