Após mais de 20 anos sem aparecer, espécie extremamente rara volta a ser encontrada e renova esperança dos biólogos
Uma gravação noturna feita em 2025 ampliou a área conhecida de uma das aves mais raras da Índia e reacendeu planos de conservação.
Uma espécie extremamente rara, conhecida por desaparecer dos registros durante décadas, voltou a dar sinal no sul da Índia. Em agosto de 2025, pesquisadores reconheceram seu chamado noturno fora da pequena área onde estavam concentradas as provas modernas de sua existência.
Qual ave foi registrada após mais de 20 anos?
O animal é o corredor-de-Jerdon, ou Rhinoptilus bitorquatus, ave endêmica da Índia e criticamente ameaçada. Marrom, de pernas compridas e olhos grandes, ela vive no chão e se mantém ativa à noite.
A nova prova foi uma gravação acústica feita em 24 de agosto de 2025, nas colinas de Lankamalla, em Andhra Pradesh. A equipe identificou o chamado de duas notas característico da espécie, mas não fotografou o animal.

Por que a espécie extremamente rara some por tanto tempo?
O corredor habita matagais secos e pouco densos, com trechos de solo exposto nos Gates Orientais. Sua camuflagem marrom, o comportamento discreto e a atividade noturna tornam a observação direta muito difícil, mesmo quando há indivíduos na área.
Pouco se conhece sobre população, reprodução e deslocamentos. Como buscas cobrem terrenos amplos e fechados, a ausência pode indicar baixa densidade, falha de detecção ou perda local. Ficar anos sem registro, portanto, não comprova extinção.
Como o registro de 2025 foi obtido e confirmado?
Os observadores estudaram mapas, pesquisas anteriores e áreas com vegetação semelhante à do santuário conhecido. Depois de chegarem ao local escolhido, fizeram uma busca noturna e registraram o som, que foi comparado aos chamados documentados cientificamente no início dos anos 2000.
A BirdLife International confirmou a redescoberta e informou que o ponto ficava fora da área com registros modernos anteriores. A descoberta ampliou o espaço conhecido, mas exige novos áudios, imagens e levantamentos.
A sequência ajuda a separar cada período sem evidências:
O que os 125 anos de desaparecimentos sucessivos mostram?
A ave foi descrita para a ciência em 1848 e deixou de ser registrada depois de 1900. Quando reapareceu em 1986, a ausência já durava 86 anos. Nas décadas seguintes, as confirmações ficaram restritas a poucos pontos próximos do Santuário de Vida Selvagem Sri Lankamalleswara.
Os 125 anos abrangem 1900 a 2025, período em que o corredor foi perdido, reencontrado e perdido novamente, não um sumiço contínuo. “Mais de 20 anos” considera as últimas fotos e gravações públicas, produzidas em 2004.
Por que o retorno renova a esperança dos biólogos?
O áudio demonstra que a espécie ainda ocupa uma área além do núcleo estudado durante anos. Isso cria a possibilidade de existirem outros grupos desconhecidos em matagais parecidos, o que pode orientar pesquisas e ampliar a proteção de habitats adequados.
O resultado, porém, não indica recuperação. Sem contagem confiável ou imagem, cientistas não sabem quantas aves restam. A confirmação é um novo ponto de partida, não garantia de menor risco de extinção.
O registro trouxe avanços e tarefas imediatas:
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O que precisa acontecer para a ave continuar sobrevivendo?
As buscas devem combinar gravadores, câmeras, comparação de chamados e participação de moradores. Repetir a detecção mostrará se existe uma população estável, enquanto estudos podem localizar áreas de alimentação e reprodução sem perturbar uma ave vulnerável.
A prioridade também é conservar os matagais secos ameaçados por agricultura, retirada de madeira, pastoreio, pedreiras e obras. Proteger trechos conectados pode beneficiar o corredor e outras espécies dos Gates Orientais, transformando o registro de 2025 em ação duradoura de conservação.
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