Antissemitismo: “O islamismo radical traz o ódio, o maoísmo a estratégia”
Ayaan Hirsi Ali, intelectual somali-holandesa, denuncia o antissemitismo crescente disfarçado de militância pró-Palestina nas redes, universidades e palcos do Ocidente.
Ayaan Hirsi Ali, intelectual somali-holandesa radicada nos Estados Unidos, publicou artigo intitulado “Glastonbury e a eliminação dos judeus”, no portal The Free Press.
Ela parte da cena de um show no principal festival de música do Reino Unido para lançar um alerta: o que parece protesto político é, segundo ela, uma campanha coordenada para expulsar os judeus do espaço público.
“O que aconteceu em Glastonbury faz parte de uma insurgência ideológica contra o povo judeu. Não apenas contra o exército de Israel. Não apenas contra Israel. Não apenas contra o sionismo. Contra os judeus.”
O episódio central descreve o episódio em que a dupla punk Bob Vylan leva a plateia a gritar “morte, morte a FDI”.
A cena foi transmitida ao vivo pela BBC. Mais tarde, o vocalista publicou uma selfie com sorvete vegano ironizando as críticas: “Enquanto os sionistas choram nas redes, eu tomo sorvete.”
Logo depois, o grupo irlandês Kneecap subiu ao palco gritando apoio ao Hamas e ao Hezbollah, grupo classificado como terrorista no Reino Unido.
“É bobagem dizer que esses gritos são apenas contra o exército de Israel. Assim como era bobagem dizer que os slogans sobre lebensraum nos anos 1930 eram sobre um quintal maior.”
Hirsi Ali sustenta que o movimento “Palestine Livre” serve de fachada para uma coalizão ideológica entre islamismo radical e maoísmo ocidental. “Não estamos diante de um apelo popular por paz ou soberania. É islamismo embebido em maoísmo, armado para a era das redes sociais.”
Ela afirma que a fusão entre essas duas correntes representa um novo tipo de ameaça.
“O islamismo radical traz o fogo: ódio visceral aos judeus, martírio, vingança tribal. O maoísmo traz a estratégia: ocupação das instituições, rituais de humilhação pública, manipulação dos fatos por meio de redes sociais e palavras de ordem.”
“Essa convergência não gera um protesto político. Gera um movimento cultural com uma missão: apagar não só Israel ‘do rio ao mar’, mas os judeus do mapa moral.”
Quando essas forças se combinam, o resultado é um movimento cultural com um objetivo claro: apagar os judeus do campo moral aceito pelas elites.
Ela aponta como isso se espalha por redes sociais e instituições culturais. Cita perfis como “Zionists in Music”, que denunciam publicamente artistas judeus, e menciona episódios de hostilidade em universidades, restaurantes e centros comunitários nos Estados Unidos e Europa.
“Estudantes judeus estão sendo assediados nos campi. Sinagogas e centros comunitários são pichados. Famílias são filmadas em restaurantes e forçadas a responder: ‘O que você pensa sobre a Palestina?’”
O fenômeno não é coordenado por líderes nem partidos, segundo Hirsi Ali. “Não há um imã ditando ordens, nem um comitê central traçando planos. É orgânico agora. O algoritmo é o combustível.”
A viralização de vídeos radicais acelera o ciclo de intimidação.
“Um dia é um vídeo. No outro, uma faca, uma pistola ou um coquetel molotov lançado contra uma sinagoga.”
Hirsi Ali diz que esse novo antissemitismo exige pouco mais do que um celular e uma indignação performática. “O próximo pogrom não começará com um soldado. Começará com um meme.”
Ela diz que a perseguição aos judeus é apenas o começo. “Israel é apenas o pretexto. O prêmio é maior. Os judeus representam algo intolerável para a nova ordem: uma identidade sólida, resiliente, ritualística, que resiste à dissolução.”
“Num mundo cada vez mais alérgico a distinções, entre homem e mulher, cidadão e estrangeiro, realidade e ficção, isso torna o judeu uma ameaça existencial.”
O texto termina com um apelo direto. “Devemos nomear isso, expor isso e eliminar isso. Isso significa rejeitar a mentira de que o movimento ‘Palestine Livre’ é uma expressão inofensiva de solidariedade.”
“Precisamos apoiar a comunidade judaica. Não em silêncio. Não com condições. De forma inequívoca.”
“‘Nunca mais’ nunca foi simbólico. Foi uma promessa.”
Quem é Ayaan Hirsi Ali
Ayaan Hirsi Ali é uma intelectual somali-holandesa, naturalizada norte-americana, pesquisadora do Hoover Institution na Universidade de Stanford.
Ex-parlamentar na Holanda, se destacou por sua crítica ao islamismo político e por sua defesa dos direitos das mulheres e da liberdade de expressão.
É autora dos livros Infiel, Nomade e Herege, todos traduzidos no Brasil, e já foi reconhecida por instituições como a Time e a Foreign Policy entre as personalidades mais influentes do mundo.
- Leia mais:
“Artistas pedem morte de judeus em festival no Reino Unido: ‘Absolutamente repugnante’” https://oantagonista.com.br/mundo/artistas-pedem-morte-de-judeus-em-festival-no-reino-unido-absolutamente-repugnante/
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)