“Antissemita”, diz Netanyahu sobre mandado de prisão do TPI
Premiê reagiu a mandado expedido pelo promotor do TPI, Kharim Khan, classificando a medida como "ódio a Israel"
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou como “decisão antissemita” o mandado de prisão expedido nesta quinta-feira, 21, pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra ele e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant.
No X, Netanyahu afirmou que “nenhuma decisão ultrajante anti-Israel nos impedirá – e não me impedirá – de continuar a defender o nosso país de qualquer forma.”
Ele disse que a medida do promotor do TPI, Karim Khan, é uma tentativa de “salvar sua pele das sérias acusações de assédio sexual” e classificou o mandado como “ódio antissemita a Israel“. Khan será alvo de uma investigação externa sobre alegações de assédio sexual a uma antiga funcionária.
Eis o que disse Netanyahu na íntegra:
“A decisão antissemita do Tribunal Penal Internacional, de Haia, é um Caso Dreyfus moderno e terminará do mesmo jeito.
Há 130 anos, o oficial judeu francês Alfred Dreyfus foi acusado falsamente de traição por uma Corte francesa enviesada. Em resposta às falsas acusações, o grande escritor francês Émile Zola escreveu seu ensaio monumental, ‘J’accuse’ [Eu acuso]. Ele acusou o tribunal francês de mentiras antissemitas contra um oficial inocente, que depois foi isentado de toda culpa.
Agora, um Tribunal Internacional em Haia, também liderado por um juiz francês, está repetindo essa ofensa ultrajante. Ele está acusando falsamente a mim, o primeiro-ministro democraticamente eleito do Estado de Israel, e o ex-ministro da Defesa, Yoav Galant, de atacar deliberadamente civis. Isso quando fazemos tudo que podemos para evitar baixas civis. Nós enviamos milhões de mensagens de texto, fazemos ligações e distribuímos panfletos aos cidadãos de Gaza para tirá-los do perigo, enquanto os terroristas do Hamas fazem tudo que podem para mantê-los em perigo, incluindo atirar neles e usá-los como escudos humanos.
O Tribunal de Haia nos acusa de uma política deliberada de provocar fome. Isso quando abastecemos Gaza com 700 mil toneladas de comida para alimentar o povo de Gaza. São 3.200 calorias por pessoa em Gaza: homens, mulheres e crianças. E esses suprimentos são rotineiramente roubados por terroristas do Hamas, que privam seu povo de alimentos tão necessitados.
Nas últimas semanas, Israel facilitou a vacinação de 97% da população de Gaza contra pólio. Isso não impede o Tribunal de nos acusar de genocídio. Do que diabos eles estão falando em Haia?
A verdade é simples. Nenhuma guerra é mais justa que a guerra que Israel está travando em Gaza, após o ataque não provocado do Hamas contra nós, cometendo o pior massacre contra judeus desde o Holocausto.
A decisão de emitir mandado de prisão contra mim, o primeiro-ministro democraticamente eleito do Estado de Israel, e nosso ex-ministro da Defesa, foi feita por um promotor desonesto que tenta se livrar de acusações de assédio sexual, e por juízes tendenciosos que são motivados por sentimentos antissemitas contra o único Estado judeu.
Esses juízes não fizeram nada… Não fizeram nada contra os verdadeiros crimes de guerra cometidos contra os milhões que foram assassinados ou desenraizados pelas ditaduras de Irã, Síria e Iêmen. Em vez disso, acusaram falsamente a única democracia do Oriente Médio, Israel, ameaçando o direito de todas as democracias de se defenderem contra assassinos, terroristas e tiranos.
O Tribunal tampouco agiu contra os terroristas do Hamas que estupraram nossas mulheres, decapitaram nossos homens, queimaram bebês vivos na frente dos pais e sequestraram centenas de homens, mulheres e crianças levando-os para as masmorras subterrâneas de Gaza. Eles ainda mantêm 101 reféns, cidadãos de vários países, incluindo os Estados Unidos.
Pensando bem, o Tribunal emitiu, sim, um mandado contra o Hamas. Ouça isso. Emitiram um mandado de prisão contra o cadáver do terrorista do Hamas Mohammed Deif. Contra o cadáver dele! Que absurdo!
Nenhuma decisão de viés anti-Israel em Haia impedirá Israel de defender seus cidadãos. E quero agradecer aos nossos amigos no mundo, especialmente aqueles nos Estados Unidos, que condenaram esse ultraje e disseram que esta decisão terá graves consequências para o TPI e para aqueles que cooperarem com sua decisão.
Israel não reconhece e não reconhecerá a validade desta decisão. Continuaremos fazendo tudo que temos de fazer para defender nossos cidadãos e defender nosso Estado contra o eixo do terror do Irã e de seus representantes terroristas, incluindo Hamas, Hezbollah, os Houthis e outros. Nossos inimigos são seus inimigos. Nossa vitória será sua vitória, a vitória da civilização sobre a barbárie e a tirania.”
TPI emite mandado de prisão para Netanyahu
Nesta quinta-feira, 21, três juízes da Câmara Pré-Julgamento I do TPI acolheram, por unanimidade, o pedido feito por Khan que alega terem sido cometidos crimes contra a humanidade e crimes de guerra durante a reação ao Hamas em Gaza.
Em maio, Khan havia pedido a prisão dos terroristas Yahya Sinwar, Mohammed Diab Ibrahim Al-Masri e Ismail Haniyeh. Os três, porém, foram eliminados pelas Forças de Defesa de Israel.
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As acusações contra Netanyahu e Gallant
Segundo o TPI, a Câmara encontrou “motivos razoáveis” para acreditar que Netanyahu e Gallant “têm responsabilidade criminal pelos seguintes crimes como coautores por cometerem os atos em conjunto com outros: o crime de guerra de fome como método de guerra; e os crimes contra a humanidade de assassinato, perseguição e outros atos desumanos”.
“A Câmara também encontrou motivos razoáveis para acreditar que o Sr. Netanyahu e o Sr. Gallant têm responsabilidade criminal como superiores civis pelo crime de guerra de dirigir intencionalmente um ataque contra a população civil”, acrescentou.
Para os juízes, Netanyahu e Gallant “intencionalmente e conscientemente privaram a população civil em Gaza de objetos indispensáveis à sua sobrevivência, incluindo alimentos, água, remédios e suprimentos médicos, bem como combustível e eletricidade, de pelo menos 8 de outubro de 2023 a 20 de maio de 2024”.
A Câmara também observou que “as decisões que permitiam ou aumentavam a assistência humanitária em Gaza eram frequentemente condicionais”, realizadas somente em “resposta à pressão da comunidade internacional ou a solicitações dos Estados Unidos da América”.
“Em qualquer caso, os aumentos na assistência humanitária não foram suficientes para melhorar o acesso da população a bens essenciais”, acrescentou.
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