Anthropic processa Pentágono após entrar em “lista negra”
Startup de IA recusa exigência de acesso irrestrito à sua tecnologia para uso em armas autônomas e vigilância; governo Trump anuncia boicote
A Anthropic ingressou com uma ação judicial na Justiça da Califórnia para contestar sua inclusão em uma lista de restrição de segurança nacional, elaborada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A empresa pede que sua retirada da lista e proíba agências federais de aplicá-la contra ela.
A medida é uma resposta à decisão do secretário de Defesa, Pete Hegseth, que, na quinta-feira, 5, classificou a Anthropic como um “risco à cadeia de suprimentos de segurança nacional”. A designação ocorreu depois que a startup se recusou a retirar restrições que impedem o uso de seus modelos de inteligência artificial para sistemas de armas autônomas e para vigilância doméstica.
O conflito com o Pentágono
Segundo fontes, a tecnologia da Anthropic estava sendo usada em operações militares no Irã. O Departamento de Defesa argumenta que cabe à lei americana – e não a uma empresa privada – definir como o país se defende, e que as restrições impostas pela startup poderiam colocar vidas americanas em risco.
A Anthropic, por sua vez, sustenta que os modelos de IA disponíveis não têm confiabilidade suficiente para operar armas de forma autônoma, o que tornaria esse uso perigoso. A empresa também se posiciona contra a vigilância de cidadãos americanos, classificando-a como violação de direitos fundamentais.
No processo, a companhia afirma que a inclusão na lista é ilegal e fere seus direitos constitucionais. “Essas ações não têm precedentes e são ilegais. A Constituição não permite que o governo exerça seu enorme poder para punir uma empresa por seu discurso protegido”, declarou a Anthropic.
Consequências para os negócios
O presidente Donald Trump instruiu o governo federal a encerrar o uso dos produtos da Anthropic, com um período de transição de seis meses. A medida coloca em risco contratos expressivos: o Departamento de Defesa firmou acordos de até US$ 200 milhões com os principais laboratórios de IA do país no ano passado, entre eles a própria Anthropic, a OpenAI e o Google.
O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que a designação tem “um escopo restrito”, e que outras empresas ainda poderiam usar as ferramentas em projetos sem vínculo com o Pentágono.
Amodei também pediu desculpas por um memorando interno divulgado na quarta-feira, 4, pelo site The Information, no qual afirmava que autoridades do Pentágono não tinham simpatia pela empresa, em parte porque ela “não fez elogios ao estilo ditatorial a Trump”.
Dias após a sanção à Anthropic, a OpenAI, apoiada pela Microsoft, anunciou um acordo para fornecer sua tecnologia à rede do Departamento de Defesa.
O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, declarou que o Pentágono compartilha os princípios da empresa quanto à supervisão humana de sistemas de armas e à rejeição à vigilância em massa.
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