Animal que restou reduzido a 48 mil indivíduos se multiplica e protagoniza recuperação impressionante
A espécie saiu da faixa crítica após décadas de proteção, mas epidemias, caça e barreiras migratórias ainda ameaçam populações menores.
O antílope-saiga passou de cerca de 48 mil animais no Cazaquistão em 2005 para mais de 1,9 milhão em 2023, após décadas de declínio. A recuperação combina combate à caça, proteção das estepes e monitoramento, mas doenças e barreiras migratórias ainda ameaçam alguns grupos.
Qual animal protagonizou essa recuperação?
O animal é o antílope-saiga, mamífero migratório das estepes da Ásia Central reconhecido pelo focinho largo e flexível. A maior parte da população vive no Cazaquistão, enquanto grupos menores permanecem na Rússia, Mongólia e Uzbequistão.
A espécie já formou rebanhos com milhões de indivíduos, mas sofreu colapso após o fim da União Soviética. A caça por carne e chifres, a fragmentação do habitat e eventos de mortalidade em massa reduziram populações inteiras em poucos anos.

Como o antílope-saiga caiu para apenas 48 mil indivíduos?
Em 2005, a população do Cazaquistão foi estimada em aproximadamente 48 mil animais. A fiscalização enfraquecida durante os anos 1990 facilitou a caça ilegal, sobretudo de machos, cujos chifres abasteciam o comércio destinado à medicina tradicional asiática.
A redução dos machos alterou a reprodução e tornou os rebanhos mais frágeis. Cercas, ferrovias e estradas também bloquearam rotas sazonais, enquanto invernos rigorosos, secas e surtos bacterianos demonstraram como uma população numerosa pode voltar a cair rapidamente.
Quais números mostram o tamanho da recuperação?
Em 2023, o Cazaquistão já reunia mais de 1,9 milhão de saigas, quantidade quase 40 vezes superior à estimativa de 2005. O crescimento no principal país de ocorrência foi decisivo para alterar a avaliação global da espécie.
Dados posteriores indicaram expansão ainda maior, com cerca de quatro milhões de animais em 2025. Os censos precisam ser interpretados com cautela, pois os rebanhos percorrem áreas extensas e a contagem total não representa igualmente a situação dos grupos menores.
Os marcos revelam uma recuperação acelerada, interrompida por episódios graves.
O que permitiu multiplicar a população?
O Cazaquistão ampliou patrulhas, punições contra a caça ilegal e áreas protegidas em regiões de reprodução e migração. Organizações científicas também passaram a realizar censos aéreos, rastreamento por satélite e estudos sobre doenças que atingem grandes concentrações.
A cooperação internacional apoiou corredores ecológicos, fiscalização de fronteiras e participação de comunidades locais. O Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos atribui o avanço à continuidade dessas ações ao longo de quase duas décadas.
Cada medida enfrentou uma causa diferente do declínio.
Por que a espécie ainda enfrenta riscos?
O crescimento está concentrado no Cazaquistão e não se repete com a mesma intensidade em todas as populações. Grupos menores da Mongólia, Rússia e Uzbequistão continuam expostos a isolamento, caça, secas e obstáculos construídos sobre caminhos migratórios.
A mortalidade de 2015 mostrou a vulnerabilidade biológica do saiga: mais de 200 mil animais morreram em poucas semanas após uma infecção agravada por condições ambientais. Grandes rebanhos reunidos para o parto podem facilitar eventos semelhantes.
Os principais riscos que ainda exigem vigilância são:
- Impedir o retorno da caça direcionada aos machos.
- Manter passagens em cercas, rodovias e ferrovias.
- Monitorar bactérias, clima e mortalidades repentinas.
- Proteger grupos pequenos fora do Cazaquistão.
- Reduzir conflitos com agricultores nas áreas de expansão.
Leia também: Motorista apresentou CNH digital na blitz e acabou precisando da física antes de ser liberado
O que significa a mudança para Quase Ameaçada?
A IUCN retirou o antílope-saiga da categoria Criticamente em Perigo e o classificou como Quase Ameaçado em 2023. O salto indica redução importante do risco global, mas não representa encerramento dos programas de conservação nem segurança uniforme em toda a distribuição.
A recuperação demonstra que fiscalização prolongada, ciência e proteção territorial podem reverter um colapso extremo. O desafio agora é conservar rotas migratórias, prevenir novas epidemias e administrar a expansão sem transformar o sucesso populacional em pressão para exploração prematura.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)