Anfíbio declarado extinto reaparece quase 60 anos depois, revela ser o último representante vivo de uma linhagem ancestral e emociona cientistas
Décadas sem registros encerraram o caso, até que um encontro inesperado obrigou pesquisadores a rever a história evolutiva do animal.
Um anfíbio declarado extinto em 1996 reapareceu inesperadamente em 2011, quase 60 anos após o último registro confirmado. Era a rã-pintada-de-Hula, espécie rara de Israel que estudos posteriores identificaram como única sobrevivente do gênero Latonia.
Qual anfíbio declarado extinto reapareceu?
A espécie é a rã-pintada-de-Hula, ou Latonia nigriventer, endêmica do vale de Hula, no norte de Israel. O pequeno anfíbio tem ventre escuro com manchas claras, dorso em tons terrosos e hábitos discretos, características que dificultam sua localização na vegetação úmida.
A página sobre a Latonia nigriventer reúne sua classificação e o histórico da redescoberta. Ela é encontrada somente em uma área muito restrita, ligada aos remanescentes das antigas zonas alagadas do vale.

Por que a espécie foi considerada extinta?
O último registro confirmado havia ocorrido em 1955, pouco depois da drenagem do lago Hula e de grande parte dos pântanos próximos. A transformação do ambiente para agricultura eliminou locais de reprodução e abrigo, enquanto buscas posteriores não encontraram novos exemplares.
Em 1996, a União Internacional para a Conservação da Natureza classificou a rã como extinta. A decisão parecia encerrar sua história, pois nenhuma evidência científica havia surgido durante quatro décadas e seu habitat original estava profundamente alterado.
Quatro fatos explicam por que o desaparecimento pareceu definitivo:
Como o indivíduo de 2011 foi encontrado?
Em outubro de 2011, um guarda encontrou um macho adulto durante uma patrulha rotineira na Reserva Natural de Hula. O animal estava próximo de um lago, e não em uma expedição planejada, transformando uma observação inesperada em prova de sobrevivência da espécie.
As buscas se intensificaram depois da identificação. O estudo publicado em 2013 registrou outros dez exemplares em cerca de 1,25 hectare: cinco machos, uma fêmea e quatro jovens. O conjunto confirmou que o primeiro animal não era um sobrevivente isolado.
Por que ela é chamada de fóssil vivo?
Análises de DNA e do esqueleto mostraram que a rã pertence ao gênero Latonia, antes conhecido apenas por fósseis europeus do Oligoceno ao Pleistoceno. Assim, ela deixou de ser tratada como Discoglossus e passou a representar sozinha uma linhagem ancestral.
“Fóssil vivo” não significa que o animal permaneceu sem mudanças. A expressão indica que seus parentes próximos desapareceram e que a espécie atual preserva uma conexão evolutiva rara. Nenhum outro integrante vivo do gênero Latonia é conhecido pela ciência.
Quantos indivíduos podem ter sobrevivido?
Uma pesquisa de captura e recaptura publicada em 2018 estimou entre 234 e 244 adultos potencialmente reprodutivos na população analisada. O resultado sustenta a referência a algumas centenas, mas não deve ser interpretado como uma contagem atual e completa de todos os animais.
O mesmo trabalho calculou uma população geneticamente efetiva de apenas 16,6 a 35,8 indivíduos. Apesar desse número baixo, as amostras revelaram diversidade genética relativamente alta e pouca endogamia, sinais úteis para orientar o manejo sem eliminar a necessidade de proteção.
Os principais números contam uma recuperação ainda limitada:
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O que ainda ameaça a rã-pintada-de-Hula?
O habitat permanece minúsculo, fragmentado e dependente da qualidade da água. Alterações na vegetação, poluição, secas e eventos extremos podem atingir rapidamente uma espécie concentrada em poucos pontos, mesmo depois da restauração parcial das áreas úmidas do vale.
O estudo da redescoberta publicado na Nature Communications estabeleceu sua identidade evolutiva. Monitoramento, pesquisa genética e recuperação contínua do habitat serão necessários para que esse ramo singular da história dos anfíbios não desapareça novamente.
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