Ameaças de bomba miram imprensa europeia
Mensagens por e-mail provocaram evacuações e tiraram a RTÉ do ar por três horas; nenhum explosivo foi achado, e a autoria segue desconhecida
Redações de emissoras e jornais da Irlanda, do Reino Unido e da Bulgária receberam nesta sexta-feira, 6, e-mails anunciando bombas plantadas em suas sedes. Os textos chegaram dias depois de ameaças semelhantes terem desorganizado voos na Europa. As polícias vistoriaram os prédios e não localizaram artefatos.
Evacuações na Irlanda
Na Irlanda, as mensagens foram dirigidas à rede pública RTÉ e ao jornal Irish Independent. Segundo a imprensa irlandesa, também foram esvaziados os escritórios das rádios Newstalk e Today FM e do grupo Virgin Media.
A programação da RTÉ foi suspensa por três horas e substituída por músicas e avisos gravados. Os funcionários voltaram ao prédio depois que a polícia terminou a varredura, que durou mais de três horas. O telejornal foi retomado a partir de uma unidade móvel de transmissão.
Reino Unido e Bulgária
A emissora britânica Sky também foi alvo de ameaça. Na Bulgária, a polícia foi enviada à redação da Nova TV, em Sófia. O local foi evacuado por algum tempo, mas a transmissão não saiu do ar.
O teor das mensagens
Os e-mails enviados à RTÉ e à Nova TV traziam o mesmo texto: “Queremos que o mundo inteiro saiba quem somos; por isso, um de nossos agentes plantou um artefato explosivo em seu prédio”, diz a mensagem. “Ele explodirá em 45 minutos. O relógio está correndo”.
Os textos eram assinados por Mikhail Andropov, que se apresentava como um dos líderes do grupo responsável pelas ameaças que afetaram dezenas de voos na semana: “Mas isto é apenas o começo. O que aconteceu esta semana é apenas uma pequena parte do que aguarda a Europa em um futuro próximo”, afirmava o remetente.
Autoria desconhecida
O sobrenome coincide com o de Yuri Andropov (1914-1984), ex-secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética. O título dos e-mails, “Mensagem ao Ocidente”, lembra o de uma biografia de Andropov publicada na década de 1980, “Novo desafio ao Ocidente”.
Não se sabe se as referências indicam participação da Rússia ou uma tentativa de atribuir a ação a Moscou. Nenhuma das autoridades citadas apontou responsáveis até o momento.
O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, disse que os órgãos de segurança europeus ainda não definiram se as ameaças partiram de indivíduos isolados ou de uma ação coordenada.
Martin comentou o episódio à rádio RTÉ, após o retorno do noticiário: “Isso apenas ilustra como pode ser relativamente simples causar transtornos e comprometer o funcionamento normal da sociedade por meio de atividades não convencionais desse tipo, concebidas para gerar perturbações, medo e ansiedade”, afirmou. “Precisamos manter a calma”.
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