“Ameaça à democracia é a censura, não a liberdade de expressão”
Miranda Devine defende que o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, alertou corretamente os europeus sobre os perigos da censura
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, proferiu um discurso na Conferência de Segurança de Munique que segue repercutindo.
Ele criticou a elite política europeia por abandonar a liberdade de expressão e impor políticas de imigração sem respaldo popular.
Para a jornalista Miranda Devine, do New York Post, a reação ao discurso confirmou o ponto de Vance: qualquer contestação à ordem vigente é recebida com histeria e tentativas de silenciamento.
Vance foi enfático ao afirmar que “se vocês estão fugindo de seus próprios eleitores, não há nada que os Estados Unidos possam fazer por vocês”.
Ele enfatizou que os líderes europeus devem governar com mandatos legítimos, respeitando a vontade popular. No entanto, segundo Devine, a resposta imediata foi de pânico, tanto na Europa quanto na imprensa americana.
Uma das reações mais surpreendentes veio da âncora da CBS, Margaret Brennan, que sugeriu que a liberdade de expressão teria contribuído para o Holocausto. “Ele estava em um país onde a liberdade de expressão foi usada como arma para conduzir um genocídio”, afirmou Brennan.
O secretário de Estado Marco Rubio prontamente corrigiu: “Não havia liberdade de expressão na Alemanha nazista. O regime era autoritário, controlava toda a mídia e eliminava a oposição”.
Para Devine, essa distorção histórica não foi um equívoco inocente. Na realidade, a censura durante a República de Weimar fortaleceu os nazistas, e quando Hitler assumiu o poder, o governo erradicou qualquer dissidência e monopolizou a informação sob o comando de Joseph Goebbels.
“A maior ameaça vem de dentro”
Enquanto veículos como The New York Times e MSNBC acusavam Vance de ecoar a “extrema-direita” europeia, ele apontava para um perigo concreto. “O maior risco que a Europa enfrenta não vem de fora, mas de dentro”, declarou.
Um dia antes de seu discurso, um atentado em Munique abalou o país. Um migrante afegão atropelou uma multidão, resultando na morte de uma menina de 2 anos e sua mãe. Esse foi o quinto ataque desse tipo na Alemanha em menos de um ano.
Para Vance, tragédias como essa são consequência de “decisões políticas conscientes tomadas ao longo de uma década”, com governos impondo a imigração em massa contra a vontade popular.
“Nenhum eleitor na Europa votou para abrir as portas para milhões de imigrantes não checados”, afirmou.
O autoritarismo na União Europeia
Vance também alertou para medidas recentes da União Europeia que, segundo ele, representam uma grave ameaça à democracia no continente.
Ele denunciou planos da Comissão Europeia para fechar redes sociais durante momentos de crise, repressão a opositores políticos e intimidação de jornalistas críticos ao governo.
Um dos casos mais emblemáticos mencionados por Vance foi o de um veterano militar britânico preso por orar silenciosamente próximo a uma clínica de aborto. Mas o episódio mais alarmante veio do ex-comissário europeu Thierry Breton, que sugeriu a possibilidade de cancelar eleições na Alemanha caso a direita populista avance nas urnas.
“Fizemos isso na Romênia e, se necessário, faremos na Alemanha”, declarou Breton, admitindo abertamente que a União Europeia pode interferir no processo eleitoral de um de seus maiores países-membros.
Para Devine, esse tipo de declaração apenas reforça o alerta de Vance. “A Europa precisa destruir a democracia para salvá-la?”, questiona.
A reação ao discurso de Vance demonstra que, cada vez mais, questionar o rumo da política europeia se tornou um tabu.
Críticas à censura, ao autoritarismo das instituições supranacionais ou à imigração descontrolada são imediatamente tratadas como “extremismo”. Para Devine, essa estratégia de silenciamento apenas comprova o ponto levantado pelo vice-presidente americano.
Ou a Europa enfrenta essa crise de liberdade e democracia de forma aberta e honesta, ou continuará repetindo os erros do passado, censurando seus próprios cidadãos enquanto marcha rumo à instabilidade.
Quem é Miranda Devine
Miranda Devine é uma jornalista e colunista australiana radicada nos Estados Unidos. Escreve para o New York Post e se destaca por suas análises críticas da grande mídia e do establishment político. É autora do livro Laptop from Hell, que investigou os escândalos envolvendo Hunter Biden.
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