Âmbar de 112 milhões de anos esconde insetos pré-históricos

15.02.2026

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Âmbar de 112 milhões de anos esconde insetos pré-históricos

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4 minutos de leitura 12.01.2026 20:22 comentários
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Âmbar de 112 milhões de anos esconde insetos pré-históricos

Um depósito de âmbar do Cretáceo foi identificado na pedreira Genoveva, na província de Napo, no Equador, preservando insetos, partes de plantas e uma teia de aranha

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Âmbar de 112 milhões de anos esconde insetos pré-históricos
Âmbar de 112 milhões de anos esconde insetos pré-históricos - Enrique Peñalver/Nature

Um depósito de âmbar do Cretáceo foi identificado na pedreira Genoveva, na província de Napo, no Equador, preservando insetos, partes de plantas e uma teia de aranha de uma antiga floresta tropical que existiu há cerca de 112 milhões de anos, quando a região ainda fazia parte do supercontinente Gondwana.

Depósito de âmbar do Cretáceo no Equador revela floresta tropical antiga

O depósito de âmbar do Cretáceo no Equador é o maior conjunto desse tipo já descrito na América do Sul para esse período geológico.

As amostras preservam organismos microscópicos e macroscópicos, oferecendo um registro raro de uma floresta úmida em plena era dos dinossauros.

Datado em aproximadamente 112 milhões de anos, esse material integra o chamado “Cretaceous Resinous Interval”, fase marcada pela expansão de florestas produtoras de resina.

A descoberta amplia o conhecimento sobre depósitos de âmbar no hemisfério sul, antes dominado por registros do norte.

Âmbar de 112 milhões de anos esconde insetos pré-históricos
Âmbar de 112 milhões de anos esconde insetos pré-históricos – Mónica Solórzano-Kraemer/Nature

Âmbar equatoriano ajuda a reconstruir a paisagem de Gondwana

O supercontinente Gondwana reunia áreas que hoje formam América do Sul, África, Antártida, Austrália, Índia e parte da Península Arábica.

Entender suas florestas é essencial para rastrear a origem de muitos grupos atuais de plantas e animais.

As análises indicam uma floresta úmida dominada por samambaias, cicadófitas e coníferas da família Araucariaceae, parentes distantes do pinheiro-do-paraná.

A ausência de evidências de queimadas contrasta com depósitos do hemisfério norte e sugere um regime de umidade distinto para essa porção de Gondwana.

Organismos preservados no âmbar do Cretáceo no Equador

Os organismos preservados no âmbar equatoriano compõem um mosaico de micro-habitats dentro da floresta, incluindo elementos terrestres e associados à água.

Entre as 60 amostras estudadas, foram catalogadas 21 bioinclusões de diferentes grupos.

Para ilustrar a diversidade ecológica registrada no âmbar, os pesquisadores destacam os seguintes tipos de organismos e estruturas preservadas:

  • Insetos terrestres, como besouros, percevejos, vespas e moscas;
  • Insetos ligados à água, como um tricóptero, indicando a presença de riachos ou lagos rasos;
  • Fragmento de teia de aranha, sugerindo atividade de predadores;
  • Pólen e esporos que registram a vegetação ao redor;
  • Partes de folhas, incluindo algumas das angiospermas mais antigas do noroeste da América do Sul.

Metodologia usada para estudar o âmbar equatoriano

Uma equipe internacional aplicou múltiplas técnicas para extrair o máximo de informação do material.

A microscopia óptica e eletrônica permitiu observar detalhes finos das bioinclusões, como asas, peças bucais e superfícies de plantas.

Paralelamente, análises geoquímicas como espectroscopia de infravermelho (FTIR) e cromatografia ajudaram a identificar a origem da resina e sua composição atual.

Estudos de palinologia complementaram o quadro, revelando pólen e esporos que auxiliam na reconstrução da vegetação.

Limitações do estudo e perspectivas de pesquisa futura

Os pesquisadores apontam que o número ainda reduzido de bioinclusões exige cautela ao extrapolar os padrões ecológicos da floresta cretácea.

Além disso, parte do âmbar teve contato prolongado com petróleo, o que modificou aspectos de sua composição química.

Mesmo com essas restrições, o depósito equatoriano se consolida como referência para o estudo de florestas cretáceas no hemisfério sul.

Novas escavações e análises devem ampliar o conjunto de amostras e refinar a compreensão da biodiversidade de Gondwana na América do Sul.

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