Aliados cobram renúncia de premiê do Reino Unido
Pressão interna do Partido Trabalhista sobre Keir Starmer cresce após derrota eleitoral abrir caminho para Andy Burnham
Integrantes do governo britânico alertaram o primeiro-ministro Keir Starmer de que ele pode ser destituído pelo próprio Partido Trabalhista caso não apresente, até o fim deste fim de semana, um plano com data para deixar o cargo.
A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 19, pelo jornal The Guardian, com base em relatos de pessoas próximas ao governo. O cenário se agravou depois que o prefeito de Manchester, Andy Burnham, venceu nesta quinta-feira, 18, a eleição parcial em Makerfield, passo que o habilita a competir pela liderança trabalhista.
Avanço de rival eleva tensão no partido
Com a vaga conquistada no Parlamento, Burnham deve viajar a Londres na segunda-feira, 22, para se encontrar com parlamentares do partido. Segundo o Guardian, a previsão entre aliados é de que ele ocupe o posto de primeiro-ministro em poucas semanas, num processo sem disputa formal.
Um parlamentar ouvido pela reportagem estimou que cerca de 200 colegas trabalhistas estariam dispostos a apoiar uma candidatura de Burnham, se necessário.
Ainda nesta sexta, Starmer telefonou a membros do gabinete para reafirmar que pretende permanecer no cargo. A ministra dos Transportes, Heidi Alexander, manifestou preocupação durante a ligação. Outros dois integrantes do governo, Ed Miliband e Shabana Mahmood, já haviam defendido anteriormente a definição de um cronograma de saída.
Em evento no norte de Londres, Starmer respondeu a perguntas de jornalistas sobre uma eventual disputa interna: “Se houver uma disputa, para ser claro, sim, vou concorrer”. O premiê também afirmou que um processo de sucessão contestado geraria instabilidade no país.
Memorando questiona favoritismo de Burnham
Apoiadores de Starmer apostam que ainda há espaço para reverter o quadro, já que Burnham evitaria o desgaste de uma disputa aberta. Um memorando da equipe do premiê, obtido pelo Guardian, sustenta que o prefeito de Manchester “ainda não enfrentou nenhum escrutínio real” e que uma eleição formal exporia fragilidades do favorito.
Paralelamente, ganha força dentro do partido a candidatura de Darren Jones, secretário-chefe do Tesouro, apontado por aliados como opção capaz de unir experiência econômica e apelo nacional. Uma pessoa próxima a Jones disse ao jornal que ele concorda com Starmer sobre não ser o momento adequado para uma eleição de liderança.
O ex-ministro da Saúde Wes Streeting, outro nome cotado para desafiar Starmer, pode buscar negociar apoio a Burnham em troca de um cargo de destaque em um eventual novo governo. Já a ex-vice-primeira-ministra Angela Rayner, também mencionada como possível candidata, não deve entrar na disputa caso Burnham seja o desafiante oficial.
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