Alemanha rechaça interferência dos EUA nas eleições
Em coletiva, chanceler Friedrich Merz declarou que não admite ingerência externa, defende reforma previdenciária e faz autocrítica
O chanceler federal Friedrich Merz declarou, em coletiva de imprensa realizada antes do recesso parlamentar, que a Alemanha nunca se intrometeu em pleitos americanos e cobrou postura semelhante do governo dos Estados Unidos.
Ao ser questionado sobre a suspeita de financiamento externo a grupos ligados ao movimento Maga na Europa, Merz foi direto: “Sempre disse que nós, de nossa parte, não interferimos nas eleições americanas. Sempre aderimos a esse princípio. E, inversamente, não quero que o governo americano ou instituições ligadas a ele interfiram nas eleições alemãs”.
Ele acrescentou que a legislação alemã proíbe o financiamento estrangeiro de partidos políticos no país.
Reformas e avaliação do governo
Apesar de índices de aprovação entre 13% e 20%, segundo pesquisas citadas no encontro com jornalistas, Merz afirmou que sua coalizão, formada por conservadores e social-democratas, encontrou estabilidade. “A coalizão encontrou seu equilíbrio”, disse, mencionando mudanças já aprovadas em aposentadorias, saúde e tributos, ainda pendentes de votação no Parlamento.
Entre os pontos citados, está a reforma previdenciária, que passará a destinar parte dos recursos ao mercado financeiro.
Sobre o atraso na medida, comparada a países escandinavos, o chanceler comentou: “Deveríamos ter feito isso há 30 anos, assim como os suecos, os dinamarqueses, os holandeses e muitos outros ao redor do mundo que o fizeram há muito tempo. Mas, pelo menos, estamos começando agora”.
Preocupação com avanço da AfD
Levantamentos mencionados na coletiva indicam que a AfD lidera as intenções de voto em dois estados do leste alemão — Saxônia-Anhalt e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental —, onde há eleições marcadas para setembro. Berlim também vai às urnas no mesmo período.
Diante de perguntas sobre como conter o avanço da extrema direita, o chanceler orientou o eleitorado: “Observem atentamente. Não deixem que as informações das redes sociais – independentemente de onde venham – sejam sua única fonte. Em vez disso, observem o que o governo federal está tentando realizar”.
Segundo o relato da coletiva, Merz disse ainda que um eventual retorno de extremistas ao poder representaria “algo completamente diferente”, em razão do histórico nazista do país.
Posição sobre a Ucrânia
Merz voltou a defender que a Ucrânia receba, num primeiro momento, apenas o status de membro associado da União Europeia, sem direito a voto. Para o chanceler, é preciso adotar uma abordagem gradual e transparente com o país, hoje em conflito.
Autocrítica sobre dívida pública
Merz reconheceu ter rompido promessa de campanha de não contrair novas dívidas, ao lançar pacote bilionário destinado às Forças Armadas e à infraestrutura. Ele admitiu que essa mudança de rumo afetou sua “credibilidade pessoal”.
Sobre o desempenho econômico do país, o chanceler admitiu limitações: “Conseguimos muito, mas ainda está longe do suficiente”. Segundo ele, o principal desafio segue sendo restaurar a competitividade da economia alemã.
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