“Alcatraz dos Jacarés”: Flórida inaugura prisão modelo para imigrantes ilegais
Centro no meio dos Everglades pode abrigar 5 mil detentos e custa R$ 2,5 bilhões ao ano
A Flórida colocou em funcionamento nesta semana um centro de detenção para imigrantes ilegais apelidado de “Alcatraz dos Jacarés”.
Instalado em uma pista desativada de 17 km no aeroporto Dade-Collier, em meio aos pântanos dos Everglades, o complexo tem capacidade para abrigar até 5 mil detentos e opera com orçamento anual de 450 milhões de dólares — o equivalente a R$ 2,5 bilhões.
A estrutura foi construída em apenas oito dias e inclui tendas climatizadas da agência federal FEMA, contêineres adaptados, cercas com 8,5 km de arame farpado e mais de 200 câmeras.
O local é vigiado por 400 agentes e 100 soldados da Guarda Nacional.
O projeto foi lançado em 24 de junho pelo procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, e recebeu visita do presidente Donald Trump.
Trump declarou que o centro deve servir de modelo para “muitos estados” e reafirmou a meta de deportar 1 milhão de imigrantes por ano.
Desde maio, o ICE, órgão de fiscalização migratória, recebeu ordem da Casa Branca para triplicar as detenções diárias, chegando a 3 mil prisões por dia.
Localizado a 60 km de Miami e rodeado por áreas alagadas habitadas por cerca de 200 mil jacarés, o centro é visto pelo governo Ron DeSantis como uma solução logística: o perímetro natural reduz os custos com segurança e dificulta fugas.
O projeto enfrenta resistências da esquerda.
ONGs ambientalistas, como Friends of the Everglades e Center for Biological Diversity, acionaram a Justiça por possíveis violações à lei ambiental, alegando que 96% da área são zonas úmidas protegidas.
Povos indígenas Miccosukee e Seminole também denunciaram possíveis impactos sobre “terras sagradas” e aldeias próximas.
Oposicionistas questionaram as condições de custódia, uma suposta ausência de processo legal adequado para os detidos e o risco representado por furacões à estrutura temporária.
A instalação já é comparada ao modelo “Tent City”, do xerife Joe Arpaio, desativado após denúncias de maus-tratos e mortes.
Embora o governo estadual afirme que a unidade é provisória, Trump sugeriu que ela se torne permanente.
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