Agressor de Salman Rushdie é condenado por terrorismo
Júri dos EUA reconhece que esfaqueamento de escritor britânico-indiano em 2022 configurou atentado ligado ao Irã
Um júri federal condenou nesta quarta-feira, 28, Hadi Matar, por prestar apoio a um grupo terrorista e por praticar um ato de terrorismo contra o escritor Salman Rushdie, ocorrido em 2022, durante um evento literário. Com a nova sentença, o agressor pode permanecer preso pelo resto da vida.
O crime aconteceu quando Rushdie dava uma palestra. Matar subiu ao palco e desferiu mais de 12 golpes de faca contra o autor, que sofreu lesões nervosas graves e perdeu a visão do olho direito.
A acusação sustentou que o ataque cumpriu uma ordem emitida em 1989 pelo então líder supremo iraniano, aiatolá Ruhollah Khomeini, que pedia a morte de Rushdie por causa do romance Os Versos Satânicos. A defesa, representada pelo advogado Nathaniel Barone, contestou essa tese, alegando ausência de provas sobre as reais intenções do réu.
Matar já havia sido sentenciado no ano passado a 25 anos de reclusão por outros crimes ligados ao episódio. Agora, soma-se a isso a condenação por vínculos com organização terrorista.
Repercussão de décadas
Nascido na Índia, Salman Rushdie construiu carreira literária na Inglaterra. Os Versos Satânicos, romance publicado em 1988, provocou reação intensa de setores da comunidade islâmica, que o consideraram ofensivo à fé muçulmana.
Após o decreto religioso de 1989, a fatwa, o escritor passou anos sob esquema de proteção policial. Autoridades iranianas reafirmaram a validade da condenação em diversas ocasiões, inclusive em 2017 e 2019, quando o então líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, morto este ano na guerra do Irã, tratou a determinação como permanente.
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