“Agimos como os EUA após 11/9”, diz Netanyahu sobre ataque a Doha
Premiê assume ação contra líderes do Hamas no Qatar; Trump se distancia e a ONU fala em violação da soberania
Na véspera do aniversário dos atentados de 11 de setembro, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, assumiu a autoria do ataque aéreo contra dirigentes do Hamas em Doha e comparou a ação às medidas dos Estados Unidos em 2001.
Ele afirmou que Israel “caçará os responsáveis pelo 7 de outubro onde quer que estejam” e advertiu países que abrigam integrantes de organizações classificadas por Tel Aviv como terroristas.
O governo israelense disse que a operação mirou a alta cúpula do Hamas, incluindo Khalil al-Hayya, ex-chefe em Gaza e principal negociador nas tratativas de cessar-fogo.
Fontes do grupo confirmaram que ao menos cinco de seus membros morreram, entre eles um filho de al-Hayya e um assessor. O Qatar relatou também a morte de um agente de segurança. Os principais líderes sobreviveram.
Netanyahu comparou diretamente a ofensiva à caçada da Al-Qaeda pelos EUA após 11 de setembro, citando inclusive a morte de Osama bin Laden no Paquistão.
Ele criticou a reação internacional negativa: “O que fizeram quando os americanos eliminaram Bin Laden? Aplaudiram. Deveriam aplaudir Israel também”.
A operação recebeu forte condenação externa. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o bombardeio como “violação flagrante” da soberania do Qatar. Governos europeus também repudiaram a ação. A Alemanha disse que o ataque ameaça os esforços de trégua e de libertação de reféns.
O presidente americano Donald Trump se distanciou publicamente da ofensiva. Ele afirmou que a decisão “foi de Netanyahu” e não da Casa Branca, chamando a ação de “não útil” para os interesses dos Estados Unidos e de Israel.
Washington informou que tentou alertar Doha pouco antes da operação, mas o governo qatari contestou, dizendo ter recebido aviso apenas quando as explosões já eram ouvidas.
O Qatar, que atua como mediador entre Israel e Hamas desde 2012, classificou o episódio como “terrorismo de Estado”. O país do Golfo abriga parte da liderança política do Hamas e mantém cerca de 10 mil soldados americanos em sua base de Al Udeid, o que amplia o impacto estratégico da investida.
A justificativa apresentada por Tel Aviv foi o ataque ocorrido em Jerusalém dias antes, quando dois palestinos da Cisjordânia abriram fogo contra uma parada de ônibus, matando seis pessoas. O Hamas elogiou a ação, sem assumir responsabilidade. Após o atentado, Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, autorizaram a operação contra Doha.
O bombardeio atingiu em cheio as negociações de cessar-fogo em Gaza.
A ofensiva ocorreu enquanto líderes do Hamas avaliavam uma nova proposta apresentada pelos EUA. Para o grupo, atacar a delegação de negociações prova que Israel não deseja acordo e busca frustrar qualquer chance de trégua.
Netanyahu encerrou sua declaração com um aviso direto a governos que hospedam militantes: “Expulsem-nos ou levem-nos à Justiça. Se não o fizerem, nós o faremos”. O Qatar anunciou que levará o caso a instâncias internacionais.
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