AfD fica perto de governar estado alemão
Vitória sem maioria absoluta transforma bancada de esquerda anti-woke em peça-chave para o desfecho político
A Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve o maior número de cadeiras nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt, realizadas na noite deste domingo, 6, no leste alemão, mas não alcançou a maioria absoluta no Legislativo estadual.
Segundo projeção da emissora pública alemã ARD, a sigla deve ficar com 39 das 83 vagas em disputa, três a menos do que o necessário para governar sozinha.
O resultado abre uma disputa em torno da formação do próximo governo, já que a União Democrata-Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, mantém a recusa de qualquer acordo com o partido.
Bloco de Wagenknecht pode ser decisivo
Com a maioria fora do alcance direto da AfD, a Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW) ganha peso político. De acordo com as projeções citadas pela reportagem, a legenda deve ultrapassar os 5% necessários para eleger representantes, o que a coloca em posição central nas negociações pela formação do próximo Executivo estadual.
O BSW foi fundado por Sahra Wagenknecht, de 57 anos, que cresceu na antiga Alemanha Oriental e integrou o partido comunista que governava o país na época.
Sua trajetória política é marcada pela combinação incomum entre pautas econômicas de esquerda — como defesa de maior proteção social — e posturas conservadoras em questões sociais, incluindo críticas à imigração ilegal e ao que chama de excesso de identitarismo, que, segundo ela, fragiliza os laços comunitários.
A política também se posiciona contra as ações militares de Israel em Gaza e mantém postura favorável ao governo russo de Vladimir Putin, mesmo diante do conflito na Ucrânia.
A possibilidade de colaboração entre a BSW e a AfD, no entanto, ainda divide os próprios envolvidos. Enquanto a direção nacional da extrema direita sinaliza disposição para buscar parceiros de coalizão, o candidato Ulrich Siegmund rejeita a hipótese de liderar um governo minoritário e mantém condições para qualquer entendimento com outras forças políticas.
Lideranças da AfD divergem sobre estratégia
A copresidente nacional do partido, Alice Weidel, classificou o resultado como um “mandato claro” para governar e apontou a CDU como possível parceira de coalizão. Já o copresidente Tino Chrupalla foi além ao declarar: “Ulrich Siegmund será o novo chefe do governo da Saxónia-Anhalt”.
Chrupalla chegou a admitir a possibilidade de um governo minoritário liderado pela AfD, alternativa descartada pelo próprio Siegmund. Na noite da apuração, o candidato afirmou que estenderia “sempre a mão” a outras forças dispostas a dialogar, mas fez uma ressalva: há posições do partido que “não são negociáveis”.
Impasse na CDU
Apesar da distância de apenas três cadeiras em relação à maioria, a AfD segue isolada pelas demais legendas tradicionais, que resistem a qualquer aproximação institucional com o partido. Essa postura, no entanto, obriga CDU, BSW e outras siglas a articularem alternativas de coalizão sem contar com a bancada mais numerosa do novo parlamento estadual.
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