A psicologia diz que os anos 1960 e 70 produziram uma das gerações mais fortes emocionalmente da história: "não por uma melhor educação, mas por negligência benigna que forçou as crianças a se autorregular"

06.10.2026

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A psicologia diz que os anos 1960 e 70 produziram uma das gerações mais fortes emocionalmente da história: “não por uma melhor educação, mas por negligência benigna que forçou as crianças a se autorregular”
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5 minutos de leitura 03.03.2026 14:29 comentários
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A psicologia diz que os anos 1960 e 70 produziram uma das gerações mais fortes emocionalmente da história: “não por uma melhor educação, mas por negligência benigna que forçou as crianças a se autorregular”

A resiliência emocional infantil é a capacidade da criança de enfrentar dificuldades, adaptar-se a mudanças e se recuperar de situações estressantes.

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A psicologia diz que os anos 1960 e 70  produziram uma das gerações mais fortes emocionalmente da história: “não por uma melhor educação, mas por negligência benigna que forçou as crianças a se autorregular”
A psicologia diz que os anos 1960 e 70 produziram uma das gerações mais fortes emocionalmente da história não por uma melhor educação, mas por negligência benigna que forçou as crianças a se autorregular. Créditos: depositphotos.com / RomanNerud

Nas últimas décadas, a forma de educar crianças mudou profundamente. A geração que cresceu entre as décadas de 1960 e 1970 viveu uma infância com mais liberdade e menos supervisão, enquanto as crianças de hoje são monitoradas em tempo real, cercadas por tecnologia e com rotinas organizadas.

Esse contraste levanta dúvidas sobre se a proteção excessiva pode reduzir a resiliência emocional das novas gerações.

O que é resiliência emocional na infância

A resiliência emocional infantil é a capacidade da criança de enfrentar dificuldades, adaptar-se a mudanças e se recuperar de situações estressantes.

Não significa suportar tudo em silêncio, mas desenvolver recursos internos para lidar com desafios sem desmoronar a cada contratempo.

Ela se constrói por meio de experiências concretas: esperar, negociar com colegas, resolver pequenos conflitos e lidar com erros.

Ambientes excessivamente controlados, em que adultos preveem e solucionam tudo, reduzem as oportunidades desse treino emocional essencial.

Como a liberdade de antigamente influenciava a resiliência infantil

Nas décadas passadas, a infância incluía mais brincadeiras ao ar livre, deslocamentos sem supervisão constante e decisões tomadas pelas próprias crianças.

Isso favorecia o contato com tédio, pequenos riscos e conflitos sociais, funcionando como um “treino emocional” cotidiano.

Nessas situações, a criança precisava regular medo, raiva e frustração, desenvolvendo autonomia e autocontrole.

A seguir, alguns exemplos de como esse contexto estimulava competências emocionais importantes:

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Pilar da Experiência Impacto na Resiliência
Exploração
Mais tempo na rua
Desenvolve a percepção aguda de riscos e a capacidade de “leitura de ambiente”, permitindo que a criança antecipe perigos e tome decisões rápidas sob pressão.
Autonomia
Menos entretenimento pronto
O ócio e a ausência de telas estimulam o “músculo” da criatividade e iniciativa. Sem roteiros, a imaginação torna-se a ferramenta principal para resolver o tédio.
Socialização Real
Conflitos sem mediação
A ausência de um adulto mediador força o aprendizado prático da negociação, empatia e cooperação. A criança aprende a sustentar argumentos e a ceder quando necessário.

De que forma o excesso de proteção pode prejudicar a resiliência emocional

Com tecnologias de monitoramento e maior preocupação com segurança, muitos pais passaram a acompanhar quase todos os passos das crianças.

Embora a intenção seja protegê-las, a redução de desafios proporcionais à idade pode enfraquecer a resiliência emocional infantil.

Quando qualquer desconforto é eliminado rapidamente — com distrações digitais ou intervenções imediatas — a criança tem menos chance de desenvolver paciência e estratégias próprias.

Situações comuns passam a parecer ameaçadoras, pois ela se acostuma a que adultos resolvam tudo por ela.

Aqueles que cresceram nas décadas de 60 e 70 desenvolveram forças mentais que estão sendo perdidas
Aqueles que cresceram nas décadas de 60 e 70 desenvolveram forças mentais que estão sendo perdidas – Créditos: depositphotos.com / fotomy

Como incentivar a resiliência emocional infantil com segurança

Especialistas defendem ajustar o equilíbrio entre proteção e independência, oferecendo desafios adequados à idade em ambientes razoavelmente seguros. Assim, a criança pode experimentar, errar e aprender sem ser exposta a riscos graves, ganhando confiança em suas próprias capacidades.

Algumas estratégias práticas podem apoiar esse desenvolvimento de forma gradual e segura no dia a dia da família e da escola:

  • Permitir pequenos riscos controlados, como correr, subir e explorar espaços delimitados.
  • Estimular a resolução de conflitos, orientando, mas sem intervir de imediato em toda discussão.
  • Trabalhar a espera, evitando atender instantaneamente a todos os pedidos.
  • Valorizar tentativas e esforços, reduzindo o medo de errar.
  • Conversar sobre emoções, ajudando a criança a nomear o que sente e buscar saídas saudáveis.

Qual é o papel dos adultos?

Adultos continuam essenciais como base segura, mas seu papel é mais de rede de segurança emocional do que de solucionadores de todos os problemas.

Eles observam, oferecem suporte e ajudam a interpretar as experiências, sem tomar todas as decisões pela criança.

Essa combinação de afeto, limites claros e espaço para autonomia fortalece a resiliência emocional infantil.

A criança aprende que pode contar com figuras de referência, mas também descobre que é capaz de enfrentar desafios por conta própria, habilidade crucial em um mundo rápido, conectado e imprevisível.

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