A progressiva escravização das mulheres afegãs sob o Talibã
Quase quatro anos após a retomada do poder pelos Talibãs, as mulheres no Afeganistão enfrentam um cenário cada vez mais opressivo
Quase quatro anos após a retomada do poder pelos Talibãs, as mulheres no Afeganistão enfrentam um cenário cada vez mais opressivo.
Desde 15 de agosto de 2021, quando o grupo islâmico reassumiu o controle do país, diversas restrições foram impostas, visando excluir as mulheres da sociedade afegã.
Um dos primeiros atos do regime foi a proibição da educação para meninas acima da sexta série. Desde então, não houve graduadas no ensino médio ou superior no país, refletindo um retrocesso significativo em termos de direitos educacionais.
Além disso, os Talibãs impuseram um banimento ao trabalho feminino, levando ao fechamento de negócios geridos por mulheres, como padarias.
As restrições se estendem a espaços públicos: as mulheres estão proibidas de frequentar parques, banhos públicos e cafeterias. Organizações não governamentais, tanto locais quanto internacionais, foram impedidas de empregar ou capacitar funcionárias.
O Ministério das Mulheres foi dissolvido e substituído por uma entidade voltada à promoção da moral e à repressão do vício.
As mulheres não podem participar de programas de rádio ou televisão conduzidos por homens, praticar esportes ou viajar para o exterior sem a companhia de um homem.
Em outubro de 2024, um novo decreto tornou ilegal que mulheres conversassem entre si em público.
Educação secreta e resistência
Enquanto em algumas áreas urbanas como Cabul as famílias podem levar mulheres aos restaurantes, em regiões mais radicalizadas como Kandahar essa possibilidade não existe.
Mulheres oriundas de famílias menos favorecidas frequentemente enfrentam opressões maiores do que aquelas provenientes da classe média que tentam apoiar suas educações secretamente.
O aumento na quantidade de escolas corânicas levanta preocupações sobre a radicalização das futuras gerações afegãs, dado que o acesso à educação formal continua sendo restringido.
Sem influência ocidental
A comunidade internacional ainda não reconhece oficialmente o regime atual. Contudo, sua ascensão resultou diretamente do acordo firmado entre Estados Unidos e Talibãs em Doha.
Os EUA têm contribuído com bilhões em ajuda humanitária desde agosto de 2021. Entretanto, relações diplomáticas estão se redefinindo à medida que países como Rússia e China estabelecem parcerias com os Talibãs.
Leia também: Feminismo progressista e esquerda talibã
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Comentários (1)
Marian
26.02.2025 22:46Não é só a matéria. Essa foto também aflige.