A influência crescente da China na América Latina
Enquanto os EUA pressionam a América Latina, a China expande sua influência
O governo de Donald Trump tem se mostrado agressivo em sua política externa voltada para a América Latina. A administração já manifestou interesse em retomar o controle do Canal do Panamá e impôs ameaças de tarifas de 25% sobre importações do México.
Além disso, advertiu a Colômbia com a possibilidade de taxas adicionais e restrições de entrada para cidadãos colombianos caso o país não acolha os migrantes enviados pelos EUA.
Essas ações indicam que a tensão entre os Estados Unidos e a América Latina tende a aumentar, especialmente com a reunião dos países BRICS programada para este ano no Brasil.
A crescente adoção do yuan em detrimento do dólar por diversos países sul-americanos, assim como as negociações do Mercosul para um acordo de livre comércio com a China, são sinais claros desse movimento.
Influência diferenciada dos EUA
A influência dos EUA na América pode ser percebida de maneira diferenciada entre as regiões.
Enquanto os países da Caribenha e da América Central permanecem bastante dependentes das políticas americanas — com 80% das exportações mexicanas direcionadas aos EUA e uma significativa parte da economia mexicana dependendo das remessas dos migrantes que residem nos Estados Unidos —, essa dependência é menos pronunciada na América do Sul.
Na verdade, na América do Sul, economias como Argentina, Brasil, Chile e Peru têm menor dependência do mercado norte-americano para suas exportações.
As remessas enviadas por sul-americanos residentes nos EUA têm um impacto consideravelmente menor nas economias locais quando comparadas às economias da América Central.
A busca por novos parceiros comerciais
A hostilidade da administração americana e a incerteza resultante estão levando os governos latino-americanos a buscar fortalecer seus laços comerciais com outros parceiros internacionais.
A China parece estar bem posicionada para se beneficiar dessa mudança. Em um movimento estratégico, o governo chinês iniciou uma ofensiva abrangente de cooperação na América do Sul no ano passado, oferecendo créditos à Argentina e tentando estabelecer relações com líderes regionais anteriormente críticos à sua presença.
Em Chancay, no Peru, um dos maiores portos da região está sendo desenvolvido pela China para facilitar o comércio com a Ásia.
Além disso, com o recente pacote de investimento firmado com o Brasil em comemoração ao cinquentenário das relações bilaterais, as expectativas são de que a presença chinesa na infraestrutura regional cresça rapidamente diante da possível retração dos investimentos americanos.
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